18 de out de 2012

História sem nome-san Capítulo 23


Capítulo 23

O centro do mundo me manda uma mensagem

     O dia seguinte chegou! Eu me arrastei até a escola, Thomas tinha faltado, Okami disse que seu irmão queria sair comigo, dar uma volta e eu marquei para o fim de semana, quando não teria treino, ainda era terça, mas eu estava realmente entusiasmada para ver o Sanji, fazia tanto tempo que ele se fora para aquela guerra...
       Estavam acontecendo tantas coisas ao mesmo tempo, eu me perguntava se seria capaz de lidar com todas. Eu? Que tinha dificuldade de lidar com Pitágoras? É... a resposta era óbvia, não!
       Encontrei com a Rafaela na escola, ela estava na minha sala, era uma garota bem legal, animada, brincalhona, mas havia algo de muito obscuro nela, e eu me atrevia a dizer que havia muito mais idade naqueles 15 anos. Ela sabia tudo que os professores passavam, não ficava exibindo seu conhecimento, mas anotava tudo e um pouco mais, além de ser a primeira a responder as perguntas. Se para ser forte eu precisava ser tão inteligente quanto ela, eu estava ferrada!
        A manhã se foi e eu me despedi de Okami, avisei a Nídia que não iria mais embora com ela, mas ela não se magoou, seguiu seu caminho, assim eu, Mel e Rafaela seguimos até o monte onde John nos esperava deitado na grama, ok, ele era realmente lindo! Seus cabelos loiros desbotados e despenteados dançavam no chão e suas mãos brincavam inocentemente com um dente de leão, cada vez que o vento soprava um pouco do leão voava por aí.
        Ele levantou ajeitando a camiseta e sorrindo, jogou no chão o que restava do dente de leão e nos cumprimentou.
        O treino foi ainda pior, como começar a treinar pelo corpo não havia dado certo no primeiro dia, Rafaela tentou partir para o lado psíquico, sentei na grama, passava minha mão nervosamente por ela, enquanto Rafaela me encarava, aquilo me deixava tensa, seus olhos eram penetrantes, ela me disse umas palavras que eu não entendi, talvez fosse latim, ou talvez fosse japonês, mas eu estivesse entretida demais em me preocupar e pouco entretida em me concentrar no que ela falava.
      Só sei que do nada uma dor atingiu meu cérebro, não havia vozes, não havia Rafaela, John ou Mel, apenas o vazio, alguém segurava minha mão, mas isso era impossível porque eu estava deitada, sozinha, no escuro, com as mãos na cabeça, torcendo para a dor passar, eu via pessoas, meus pais, minha irmã, meus amigos e monstros que eu imaginava como meus inimigos, todos eles apenas caminhavam, eu via os trens... Ah! Os trens! Iam e vinham apressados, qual deles eu devia pegar? Acho que nunca descobriria.
       Estava conseguindo controlar melhor a dor, ou ela apenas estava passando, eu não saberia dizer, me levantei e comecei a reparar mais nas pessoas e monstros que passavam, nenhum tinha um rumo, iam e voltavam, sumiam naquela escuridão, todos me ignoravam, havia bem no fundo uma luz, era a primeira vez que reparei nela, brilhava com intensidade, eu não entendia como não me cegava, mas incrivelmente eu consegui me aproximar, na verdade aquela luz vinha de um pequeno cubo dourado, tinha coisas escritas, mas eu não conseguia ler. Eu o toquei e ele bateu na minha mão, como se repreendesse meu gesto.
      Aquilo não era... não podia ser... o centro do mundo? O cisto na minha cabeça era aquele cubo?!  Tentei pega-lo na mão, mas ele me queimou, soltei-o de imediato, minhas mãos ainda brilhavam, doía, era uma dor angustiante, caí no chão, lágrimas involuntárias, escorreram pelo meu rosto, minha mão queimava, muito, a dor na minha cabeça aumentou, é como se meu corpo estivesse se desfazendo de dentro para fora, eu jurei que iria morrer, eu cheguei a querer morrer, a morte acabaria com aquela dor, certo? Isso era tudo que importava.
       Abri os olhos, mesmo sem perceber que os havia fechado, havia uma grama gelada abaixo de mim, e um sol quente acima, Rafaela estava segurando forte nas minhas mãos, mas sua expressão deixava claro que ela havia sentido ao menos um pouco da dor que eu senti, nossas mãos soavam, Mel tinha as mãos pousadas sobre meus ombros e John me olhava com preocupação.
        – O que você viu? – Rafaela foi a primeira a cortar o silêncio.
        – Tudo escuro, pessoas que eu conheço, pessoas que eu imagino, trens, um cubo, o centro do mundo... dor, muita, muita, dor. Eu não quero mais sentir essa dor, nunca, nunca mais – eu tremia, não acho que minhas frases faziam algum sentido, mas não precisavam.
         Mel me abraçou, mesmo eu estando suada, não havia vestígio de que eu houvesse chorado, isso era bom.
         – Você estava normal, até que começou a gritar, começou a implorar que lhe matassem, implorou para a dor parar, eu estava tão preocupada!
         Minhas mãos se soltaram das de Rafaela para eu poder abraçar Mel, meus movimentos eram lentos, como se eu estivesse reaprendendo a viver sem a dor. Mas antes que minhas mãos atingissem o objetivo, John as pegou com cuidado, mas com uma pressa um pouco incômoda. Mel se afastou de imediato e, em poucos segundos, todos estavam olhando minha mão. Não entendi o porquê até me aproximar, minha mão tinha sangue seco, como se ela tivesse sangrado muito a algumas horas atrás, também haviam cicatrizes semifechadas,  mas o pior de tudo é que não eram cicatrizes aleatórias, naqueles traços irregulares se lia nitidamente em meio ao sangue.
          Isso é tudo que eu vou te dar

História sem nome-san Capítulo 22


Capítulo 22

Treinamento

      Cheguei a colina, as palavras de Thomas ainda pesavam na minha mente, vi Mel, John e uma garota que eu desconhecia indo em minha direção, Mel disse algo sobre me ajudar a treinar e treinar a si mesma, e John  disse algo sobre começar pelo físico, a outra garota ficou calada, mas eu não me aguentei, precisava perguntar aquilo.
       – John, você conhece um Thomas DeLonge? 
       John ficou com uma ar sério, respirou fundo e olhou para o chão.
       – Podemos treinar primeiro? – perguntou ele com uma voz cansada, meio triste.
       Acenei, e ele se virou para a menina que eu não conhecia, devia ter a minha idade, era no máximo um ano mais velha. Tinha os cabelos compridos e vermelhos, os olhos eram rosados, num tom que nunca tinha visto antes, ela era muito bonita, vestia um vestido simples e branco, de mangas longas e tecido fino.
       – Flávia, quero que conheça a Rafaela Winchester, uma amiga minha, que morava já aqui no Japão, pedi que ela se mudasse para cá e ela atendeu ao pedido. A partir de agora ela vai treiná-la com a ajuda da minha filha Mel. – disse John.
        – Mas, não era você que iria me treinar? – perguntei confusa, mas me senti mal por ter ignorado a garota e voltei atrás com a palavra – quero dizer, prazer em conhecê-la Rafaela-san, perdoe minha falta de educação eu só...
         – Tudo bem! – disse Rafaela com um sorriso no rosto apertando minha mão.
         Era quase assustador, apesar de toda a expressão e o sorriso e mesmo as palavras gentis e legais, Rafaela emanava um poder sobre-humano, era quase o mesmo poder que sentia em John, um pouco menor apenas.
         – Eu vou ser mais para frente, quero dizer, eu não sou muito bom em controlar meu poder, e não quero machuca-la, Rafaela é uma feiticeira assim como a Nina e a Rosaline, e feiticeiros são conhecidos por serem ótimos treinadores por poderem mexer com vários tipos de magia. Minha filha também quer ficar forte, então vai treinar junto. E caso esteja se perguntando por que não escolhi nem a Rosaline, nem a Nina para treina-la é porque a Rafa tem em especial habilidades psíquicas que podem te ajudar a acordar o poder adormecido em você.
         – Será um prazer ajudar! – comentou Rafaela.
         O treinamento começou, pensei que iria ser fácil, mas a Rafaela era exigente, logo no início fez o chão começar a tremer, eu e Mel não conseguíamos nos manter de pé, mas Rafaela e John pareciam nem sentir o chão tremendo. Ela disse que isso iria treinar meu equilíbrio e concentração o que era fundamental se eu quisesse ser forte.
         Já estava ralada de tanto cair, Mel estava conseguindo se equilibrar um pouco já, mas eu não demonstrava muito progresso. Pensei na concentração na qual ela falara, fixei  em apenas um ponto, ela avisou, o chão começou a tremer e em menos de dois segundos eu já estava ao chão.

         Deixamos esse treinamento de lado e fomos desenvolver outras coisas, ela começou a criar ilusões, fazendo minha mente se forçar a raciocinar mais rápido, não que eu tenha tido algum progresso.
         
         A tarde já ia embora, e eu estava morta de cansaço, Rafaela foi a primeira a ir embora, John e Mel ficaram esperando minha irmã que prometera vir me buscar. Não muito tempo depois surgiu no horizonte quatro sombras, lá estava minha irmã, com Hayato, Carolina e Yumi, eles traziam milk shakes na mãe e minha irmã trazia um extra para mim.
         Me despedi e segui com eles, o caminho foi tranquilo sem nada demais, mesmo que eu não quisesse reparava demais no Hayato, mas ele só tinha olhos para minha irmã e ela só tinha olhos para ele, eles formavam um casal realmente fofo.
          – Mas a Yumi que está bem na fita – disse Hayato rindo quando está vamos chegando perto do meu bairro.
           – Por que? – perguntamos juntos.
           – Hayato! – Yumi parecia brava, mas antes que ela pudesse falar qualquer coisa, Hayato prosseguiu.
           – O nosso professor está dando mole para a senhorita “melhor aluna da sala” aqui – disse rindo.
           – Não é nada disso! – Yumi se defendeu – ele apenas aprecia alguém que tira boas notas e não fica badernando na sala igual a você Hayato!
        Eu comecei a rir, mas senti algo batendo no meu ombro, meu coração acelerou, eu fiquei pálida, tinha medo de quem pudesse ser, e logo todos perceberam que eu estava tensa, me virei apressada e vi um garoto. Nada de monstro, nada de criatura maligna, nem um garoto mal querendo me sequestrar, ele tinha o rosto com uma expressão neutra, trazia na mão uma caixa que parecia pesada, seus cabelos eram escuros e seus olhos pretos.
        – Ah, desculpe – ele me disse – pode me dar licença?
        Eu estava próxima a uma parede, e a passagem mais prática para ele seria se eu saísse da frente, mas eu ainda estava um pouco em choque, imóvel, sequer falei com ele, o garoto me olhou de um modo estranho, eu ainda devia estar pálida, ergueu as sobrancelhas e me contornou, dizendo bem baixo.
         – Menina estranha...
         Mal percebi e já estava em casa, pelo visto o garoto estava de mudança para a casa em frente a minha, ótimo! Agora meu vizinho me acha estranha e nem fomos apresentados ainda. A banda ensaiou um pouco, mas quando anoiteceu cada um foi para sua casa e minha irmã disse que faria uma torta para dar as boas vindas aos novos vizinhos. Se bem que pra mim isso só acontecia nos filmes.
         – Amanhã vou entrega-la, hoje já está tarde, quer vir comigo? Eu espero você voltar do treino.
         Treino... na hora eu me lembrei do Thomas e...
         – Ah! Droga! Esqueci de perguntar sobre o Thomas para o John! Mas bem, ah! – disse tentando manter o foco na pergunta da minha irmã – sim claro, eu vou.
         Tomei um banho rápido e fui me deitar, estava morrendo de cansaço, olhei para o pingente que eu estava usando, ele não andava funcionando bem, e eu já estava pensando em chamar aquela ninfa para me ajudar a recuperar as memórias, mas será que eu realmente queria elas de volta? A resposta sempre era sim! Mas mesmo assim resolvi deixar quieto por aquela noite, e fui me deitar sem ter nenhum pesadelo, ou mesmo algum sonho.
 Yes I do! '-'

História sem nome-san Capítulo 21


Capítulo 21

Confusos

      Cheguei na escola atrasada no dia seguinte, Nina veio a mim que nem um louca, disse que passara em casa e me chamara, mas eu não respondi, eu a acalmei dizendo que havia perdido a hora, o que não era mentira. Não consegui ver mais nenhuma de minhas amigas e rumei diretamente para sala.
       Ao me sentar encontrei ao meu lado uma radiante Okami me cumprimentando.
       – O que houve Okami-chan – sussurrei para que a professora Dalva, uma mulher baixinha e carrancuda cujo os olhos pareciam botões e nos dava aula de inglês, não pudesse nos ouvir.
       – Meu Nii-chan voltou! – ela não aguentou e falou num tom mais alto, mas por sorte a professora não nos ouviu.
        Antes que eu pudesse dizer algo, Thomas se intrometeu no meio da conversa, derrubou uma aluna de sua carteira e se sentou ao lado de Okami, parecia indignado com algo, e então me lembrei de quando vi ele e o Sanji conversando na portaria da escola, mas não pude contar a Okami porque ele me ameaçou, lembrar daquilo me dava arrepios.
         – Como assim voltou!?
         – Senhor DeLonge, senhorita Sawada e senhorita Leto, entendo que queiram conversar, mas por favor poderiam fazer isso na hora do intervalo? E senhor DeLonge – ao olhos de Dalva fuzilavam Thomas – você não faz lição, falta quando bem entende, e agora quer sentar onde bem entender derrubando uma colega da carteira? Por favor retire-se da sala, imediatamente!
       Thomas obedeceu, parecendo pouco interessado nisso, eu e Okami nos calamos pelo resto das aulas, mas vez ou outra trocávamos olhares significativos.
       O intervalo chegou e ambas fomos de encontro a Thomas. Mas antes que Okami pudesse falar algo eu a interrompi.
        – Primeiro, poderia dizer por que sumiu da escola ontem?
        Thomas não parecia interessado em conversar sobre isso, algo parecia estar incomodando muito ele, me olhou meio irritado, eu odiava isso nele, ele sempre estava tão cheio de mistérios, era irritante, nunca me contava nada!
         – Porque ao contrário de você, eu tenho um mestre que quando me chama eu tenho que ir, fazer coisas das quais não gosto e nenhuma delas é boa, e antes que venha com mais perguntas idiotas ele me contata pelo pensamentos, uma magia estranho que eu não conheço. Sobre o porque de eu ter acessos de tosse, sem comentários!
         – Por que ficou tão indignado do meu irmão ter voltado? Como o conhece se ele esteva todo esse tempo em uma guerra? – perguntou Okami.
         – Guerra? – Thomas riu com expressão de deboche – Claro, o valente e corajoso Sanji, me poupe...
         E dizendo isso saiu, tentamos procura-lo mais ele sumiu.
        As outras aulas se arrastaram, Thomas não tinha ido embora da escola, pois ainda estava na sala, mas se sentou afastado na classe e nunca nos olhava. Tentei lhe passar um bilhete, mas ele apenas amassou um papel e o arremessou longe.
        – Francamente – disse Okami na saída, enquanto passávamos pelo corredor lotado – acho que Hime tem razão sobre esse cara, ele não presta! Viu como ele debochou do Nii-chan na maior cara de pau?
        Antes que eu pudesse responder, senti algo me puxando pelo braço, era Thomas, tinha em seu rosto uma expressão mais sutil, mas ainda séria. Okami parou ao meu lado, encarando com cara feia Thomas.
         – Tem como eu falar com você sem essa daí ficar me fuzilando com os olhos? – perguntou irritado Thomas olhando para Okami.
        – Não! De jeito nenhum eu vou deixar você sozinho com a... – começou Okami.
        – Okami-chan – eu a interrompi, entendia seu ponto de vista, devia ser difícil, mas definitivamente Thomas não era esse tipo de pessoa – tudo bem, eu sei me cuidar, pode ir, se cuida.
        Dando de ombros, mas ainda contrariada, Okami se despediu de mim e se afastou.
        – Você disse que eu vivo te escondendo as coisas e bem, você tem razão, mas hoje estou disposto a responder as perguntas que puder, venha comigo, talvez a sorveteria ou sei lá, você escolhe, daí eu te conto o que quiser saber – disse Thomas soltando meu pulso.
         Como o corredor estava esvaziando começamos a andar em direção à saída. Não queria recusar seu convite, eu tinha tantas e tantas perguntas, mas simplesmente não podia, tinha marcado com John.
         – Eu adoraria! Mas... Podemos mudara data? Ou passar para mais tarde, porque agora eu tenho algo a fazer...
         – Hum? – Thomas pareceu confuso – O que?
         – Eu vou passar a treinar para poder controlar parte do poder do centro do mundo e assim me defender sozinha.
         – Eu disse que te protegeria – disse Thomas, ainda sem entender.
         – Eu sei! Mas não quero depender de ninguém entende? Quero poder me proteger sozinha. E o John foi tão fofo comig...
         – Quem? Não me diga que foi um anjo caído chamado John?
         – Mas que diabos? – agora eu estava confusa – você conhece todo mundo?
         – Não vá! Eu não confio nele, nem você devia, na verdade eu o odeio. Não importa se quer ficar mais forte ou não, ele não é confiável!
         Eu comecei a ficar realmente nervosa, aquela atitude do Thomas estava me deixando louca.
         – Primeiro o Sanji, agora o John, será que você tem algo contra todos os meus amigos?
         – Eu tenho algo contra pessoas que acabaram com a minha vida! Mas está bem vá, se divirta com o Sanji, com o John, afinal, eles não são rancorosos, bravos, estressados, ou te escondem as coisas como eu não é?  Talvez você esteja certa, talvez eles sejam melhores amigos para você do que eu sou!
         – T-Tom espera! – disse ao ver ele indo embora – Eu nunca disse isso, eu não...
         Mas ele já havia sumido na primeira curva.

História sem nome-san Capítulo 20


Capítulo 20

Guardião: Ar

     John explicou para a Mel, que anjos caídos conservam o mesmo poder dos anjos, por isso, quando um anjo caí, todos os anjos ficam atentos com ele. E ter filhos é uma das regras proibidas entre o anjos, todos os nefilins deveriam ser eliminados, e se ele ficasse muito perto dela os anjos iam acabar rastreando-a.
      Quando a explicação do porquê se afastara acabou, Mel lançou um olhar para Jordan, que pareceu entender o recado, mas mesmo assim ficou meio confuso.
       – É-é – gaguejou ele – um dia Mel me contou sobre um amigo da Flávia que dominava a terra e bem, ele era um dos guardiões dela, ou sei lá o que, sobre o se trata isso?
       – Ah! – disse John reconhecendo o assunto – uma velha profecia que diz que quatro pessoas protegerão uma menina, que agora todos temos certeza serem a Flávia. Esses guardiões nasceram para isso, por isso ao longo dos anos criam afinidade com um dos quatro elementos. Os próprios anjos escolheram a dedo esses garotos, lhe dando afinidades a um elemento, não queriam que a menina levasse toda a carga sozinha, os guardiões tem a missão de cuidar e proteger ela no dia do caos. Cada qual tem sua característica mais marcante, o guardião da Terra tende a ser alguém mais protetor, a fortaleza, o do Ar tende a ser gentil, a bondade, o da Água tende a ser bom em convencer as pessoas, o purificador, por fim o Fogo tende a ser destrutivo, o que elimina. Mas, por que a pergunta?
      Mel deu um cutucão com o cotovelo em Jordan, mas ele ainda parecia hesitante, por fim levantou-se, fechou os olhos e ergueu os braços, uma brisa suave entrou dentro da casa, passou a minha vota e se foi, mas pude ver que ia passando de pessoa a pessoa, o ar fez um pequeno redemoinho que levantou uma luminária e a deixou novamente no lugar. Jordan abriu os olhos e abaixou os braços, ao ver que ninguém falava nada ele tomou a palavra.
       – Andei treinando...
       Todos olharam para mim logo em seguida, era normal, afinal ele era meu guardião e todos tinham acabado de descobrir isso, mas os olhares me incomodaram, não sabia o que dizer, sequer o que pensar.
        – Ar? – foi tudo o que consegui fazer sair da minha boca – então você é meu guardião do ar.
        – Parece que sou a gentileza em pessoa – disse Jordan rindo, mais relaxado.

     Depois de tudo aquilo, decidi ir para casa, deixar Mel sozinha com o pai era o certo a se fazer eles tinham muito o que conversar.
      – Flávia – disse John me pegando pelo pulso – venha cá um instante, quero falar com você antes de você ir.
      Me aproximei dele e de Mel, Mel fez que ia se levantar para ir, mas John a segurou afirmando que não era nada demais .
      – Escute – começou ele – Você tem o centro do mundo na sua cabeça, e tem várias outras coisas pelo seu corpo, se você se concentrar e treinar, pode ter poderes incríveis, vai poder se proteger sozinha. Mas para isso vai precisar de um mentor, alguém que treine sua mente e seu corpo, e bem, se conseguir confiar em mim, posso ser eu seu mentor.
      – Você me salvou daqueles idiotas hoje –respondi para ele – e agora descobri que você é o pai de uma das minhas melhores amigas, cacho que consigo confiar em você, por mais que eu não saiba bem o porquê...
       John sorriu.
       – Então está combinado, amanhã, assim que sair da escola, perto da colina no fim da cidade.
      A colina era um pouco distante da minha casa, mas se isso fosse me fazer ficar mais forte, se isso fosse me fazer poder me defender sozinha ia valer a pena.
      Como a Nina queria ir para a casa da Rosaline, Jordan me acompanhou até em casa, fomos quase o caminho todos calados, devia ser estranho para ele, acabar de conhecer uma menina e descobrir que tem de defender e proteger ela, definitivamente deve ser muito estranho. Quando chegamos na porte eu perguntei se ele queria entrar, mas ele não quis.
       – Ei! – tomei coragem e o chamei quando se virou para ir embora – Você não precisa fazer isso se não quiser, ter de proteger alguém que você mal conhece, não deve ser agradável nem nada do tipo, então, você não precisa fazer isso!
       Ele pareceu meio confuso, mas depois sorriu se virando e acenando.
        – Se eu tenho um poder e não posso proteger ninguém, acho que esse poder seria inútil, os anjos me dizem que eu devo protegê-la, por que diabos eu iria contra os anjos? Você é mesmo burra. – pude ouvir sua risada ao se afastar de casa, mesmo me chamando de burra ele era realmente gentil.

História sem nome-san Capítulo 19


Capítulo 19

Uma pequena visão da casa dos Sawada

     A Flávia andava tão distante de mim ultimamente, ou talvez seja apenas eu que tenha me afastado, estava na cozinha fazendo o jantar para o meu pai, Kiriko, minha loba branca, estava tentando tomar a comida das minhas mãos, eu realmente gostava dela, mas ás vezes isso me irritava por que ela não podia ser simplesmente igual ao Lambo, meu lobo de pelagem negra que estava deitado a um canto, dormindo, ele era tão menos agitado que Kiriko.
      – Calma! Calma! – disse enfim perdendo a paciência com Kiriko – Eu já vou buscar sua carne, mas essa é do papai ok?
      Eu andava realmente preocupada com o sangue de unicórnio, queria poder dividir com alguém meu medo sobre o que aquilo poderia ser usado, mas a Flávia, minha amiga mais próxima simplesmente tinha a cabeça cheia demais para se preocupar com aquilo, eu até entendia, de um dia para o outro ela se tornara o centro do mundo, a criação e a destruição em pessoa, e várias criaturas apareceram para ela, não podia incomodá-la com algo como meu problema com os unicórnios, suava quase infantil perto do dela.
     Cheguei a mesa do jantar, meu pai me encarou, tinha os cabelos castanhos e curtos, os olhos azuis profundos e cansados das batalhas, e um corpo acima do peso, mas mesmo que ás vezes fosse duro e não me deixasse fazer o que eu queria era o pai mais gentil do mundo. Mas hoje seus olhos estavam carregados de preocupação.
     – O que foi Otou-san? – perguntei.
     – Hoje fazem dois anos... – meu pai parecia tão triste por dizer aquilo – Okami, eles não vão mais voltar.
      Ao ouvir meu pai dizer isso a ficha caiu, meus olhos se encheram de lágrimas, eles iam voltar, com certeza iam!
      – Claro que vão! – mesmo sem querer alterei meu tom de voz – A Okaa-san e o Nii-chan são muito, muito fortes, eles... – as palavras saiam com mais dificuldade pelas lágrimas, mas toda vez que me lembrava do meu irmão e da minha mãe era quase inevitável não chorar – com certeza eles... vão voltar!
       O silêncio que ficou entre mim e meu pai foi quebrado pela campainha, quem seria uma hora daquela? Provavelmente a Flávia, mas esse pensamento me deixava preocupada, será que havia acontecido algo com ela?!
       Abri a porta e vi um garoto de olhos azuis, eram mais alto e mais velho que eu, seus cabelos eram vermelhos, e lindos! Aquele era... era...
       – Nii-chan!!! – gritei pulando em cima dele, as lágrimas voltaram a cair, mas agora eu estava sendo invadida de pura alegria, meu irmão, meu irmão estava em casa!
       Meu pai logo veio ver o porquê da barulheira, seus olhos se encheram de lágrimas assim como os meus e ele correu em direção ao meu irmão.
       – Sanji... Sanji... é-é você? Você...
       – Otou-san, Okami-chan. Tadaima! – disse Sanji com um sorriso no rosto.
       – Okaeri! – disse com um sorriso de orelha a orelha.
       Assim que Sanji entrou olhei porta afora, esperava ver a mulher dos cabelos vermelhos e longos, olhos castanhos, minha mãe, mas não havia mais ninguém atrás do Sanji. Enquanto olhava porta afora senti uma mão em meu ombro, olhei para Sanji que acenou tristemente em negativo. Ele sobrevivera... minha mãe não!
       O jantar passou, eu tinha tantas perguntas paro o Sanji, mas ele respondeu todas com calme e alegria, era o meu irmão de sempre, alegre, espontâneo, brincalhão e divertido. Eu me lembrei de quando éramos mais novos, quando ainda morávamos em Portugal e ele ficava cantando a Flávia, era tão engraçado ver a cara dela de surpresa, lembrar dos biscoitos da minha mãe, das broncas do meu pai quando eu, a Flávia, o Sanji e a Jéssica fugíamos a noite para ver as estrelas do morro que havia perto das nossas casas. Aquelas lembranças eram tão coloridas, tão divertidas, mas com aquele clima tenso, coma a morte da minha mãe, aquelas lembranças ganhavam um ar tão triste, tão nostálgico.

       Fui para a cama algumas horas mais tarde, mas não conseguia dormir, Kiriko e Lambo pareciam sentir minha tristeza, pois subiram em minha cama e se enrolaram e mim, como se me protegessem, abracei ambos com força, mas a dor não passava, provavelmente nunca iria passar.
       Doía lembrar da minha mãe, saber que nunca mais ia vê-la, doía ter esperado dois anos para receber a notícia de sua morte, mas principalmente, doía saber que a culpa era minha!

História sem nome-san Capítulo 18


Capitulo 18

Um pai achado

    – Quem é você? – me forcei a perguntar.
    – Me chamo John, mas isso não é importante, vou te levar até a casa de uma de suas amigas.
     – Eu posso ir sozinha!
     Ele deu uma olhava para a vã, me encarou com um “q” de riso, e sem dizer mais nada, passou a andar comigo a seu lado, era quase como se não conseguisse resistir a obedecê-lo, algo nele, me dava uma sensação ruim, mas era quase impossível olhar para ele e não lembrar da Any.
      Enquanto andávamos comecei a reconhecer o caminho que levava a casa da Mel, pela janela de sua casa, podia ver mais duas silhuetas, que não pertenciam a ela e nem a mãe dela. Ao chegar a porta toquei a campainha, e vi a Nina e a mel que correram para atender a porta, me darem um grande abraço.
       – Onde estava? – perguntou Mel, com um ar de preocupação – estávamos te procurando faz tempo, assim que voltamos da escola, Nina e eu combinamos de tentar achar meu pai com magia, mas não queríamos te deixar sozinha, com tudo que está acontecendo então resolvemos ir te chamar e você não estava em casa! Estávamos louca de preocupação!
       – Desculpe – disse envergonhada por não ter pensado antes em como minhas amigas se sentiam – mas eu estou bem graças a ele! – disse apontando para o... nada?
       – Ele? – perguntou Nina confusa – ele quem?
       Olhei de novo para trás, não havia nem sinal do John, nada, era como se ele apenas tivesse evaporado, sumido. Ainda confusa, tentei responder algo que tivesse lógica para minhas amigas.
       – Eu bem, havia um homem comigo, mas agora, agora ele... se foi, e não se despediu, eu acho que foi isso...
       Entrei e descobri outra mulher ela era linda, seus cabelos castanhos claros lhe fugiam soltos e ondulados sobre os ombros, seus olhos eram amarelados, estava sentada em uma mesa olhando os papeis, quando me viu se levantou, sorrindo.
       – Prazer em conhecê-la sou Rosaline Meredith! A mestra da Nina, ela me chamou para ajudar a encontrar o pai de sua amiga.
       – Prazer – disse estendendo a mão para ela.
       Logo em seguida um garoto desceu apressado as escadas, tinha mais ou menos a minha idade, olhos azuis assim como seus cabelos, trazia em mão um colar.
     – Mel, achei! – disse ele para Mel, passando direto por mim sem sequer me olhar.
     – Jordan! – Mel o repreendeu – essa é minha amiga Flávia Leto , Flávia-chan esse é meu primo Jordan Houkiboshi.
       – Ah! Desculpe princesa estava apressado a achar o colar que o pai de mel deu para ela, prazer em conhecê-la.
       Corei ao ouvir ele me chamar de princesa, ele era bem animado, não parecia ser o tipo de garoto que encontrávamos triste por aí, seu sorriso era sincero e espontâneo.
       – Não se importe com o “princesa” – comentou Mel ao meu ouvido – ele chama todas as meninas assim, apenas gosta de ser gentil.
       Sentamos todos em volta da mesa da cozinha, a mãe de Mel nos trouxe alguns aperitivos, mas se afastou depressa, deve ter sido difícil sua conversa com a Mel sobre seu ex-marido. Nina parecia um pouco perdida em meio a seu livro, lia algumas palavras que eu não entendia, mas por vez se confundia, Rosaline por sua vez mantinha a voz firme, os olhos fechados, e as mãos em volta do colar, como um dia o pai de mel tocara no colar, a magia rastrearia ele.
       – Não é possível – disse Rosaline.
       – O que foi? – Mel parecia temerosa – Não o achou?
       – Pelo contrário – falou Nina que agora também tinha os olhos fechados – achamos ele, e bem, ele está a três quadras daqui...
       Mel se levantou de súbito, ele poderia estar em qualquer lugar, qualquer país, qualquer um, por que estaria a duas quadras da casa da filha que abandonou? Se mesmo eu estava me perguntando isso, Mel devia estar em choque, correu as duas quadras, provavelmente até se esquecera das asas, eu fui em seu encalço.
        Passamos da primeira, da segunda e da terceira quadra sem encontrar ninguém, mas ele devia estar um pouco mais a frente, chegamos na quarta quadra e vimos o homem loiro, John, que me salvara mais cedo.
         – É ele? – perguntou Mel mais para si mesmo do que para mim.
         Rosaline, Nina e Jordan chegaram pouco depois, eu estava prestes a dizer que elas haviam se enganado, que aquele era John, não era um anjo caído, era apenas um homem, mas Mel se arriscou antes que eu pudesse detê-la.
          – P-pai? – gritou ela.
          John se virou, não parecia surpreso, confuso, triste, arrependido, apenas normal, sorriu para Mel, levantando a mãos em sinal de rendimento.
          – Então você me achou, filha...

História sem nome-san Capítulo 17


Capitulo 17

Salva por um estranho

    Eu estava novamente perdida nos meus pensamentos, estava achando isso comum demais pro meu gosto. E o pior de tudo é que eu estava começando a me acostumar com esse tipo de notícia, era tão engraçado como minha vida tinha mudado tão drasticamente de um tempo pra cá, eu estava me sentindo triste, percebi que gostava da minha antiga e chata vida, só saber que o mundo místico existia já bastava pra mim!
     Resolvi não ir para casa, parei na porta me despedindo da Nina, que falava coisas legais e encorajadoras que acabei sem ouvir de verdade, e ao ver que ela sumiu no horizonte, fui na direção oposta. Eu realmente não sabia onde estava indo, mas quem se importava? Eu também não sabia que rumo minha vida estava tomando!
      Olhava incansavelmente para o chão, desejando que ele me absorvesse antes que eu enlouquecesse com tanta informação, nem via onde estava indo, vez ou outra eu esbarrava com pessoas que eu não conhecia, algumas reclamavam, algumas me davam tapas leves, algumas se desculpavam, outras pediam para eu me desculpar, mas eu simplesmente continuava andando.
       Sem que eu realmente me tocasse ou me importasse, os esbarrões pararam, vez ou outra eu ouvia o barulho de carros ao meu lado, mas era raro, o problema foi que quando olhei para frente estava numa das ruas mais desertas de toda a cidade, não que fosse tão perigosa, eu já passara várias vezes por lá, mas haviam dois garotos a minha frente.
       Não gostei deles, tinham jeito de mal encarados, um era alto, magro, tinha os rebeldes cabelos loiros embaixo de uma touca, o outro era baixo, magro e tinha longos cabelos soltos e escuros, meio acinzentados. O mais baixo sorriu, de um jeito nem um pouco simpático me pegou com força pelo ombro.
       – Olá princesa, andar sozinha é perigoso sabia? Podem aparecer pessoas indesejáveis! – foi o que disse o mais baixo.
       “Como você!” foi o que pensei, mas estava assustada demais para falar, o mais alto enfim me olhou nos olhos, tinha um sorriso quase doentio em seu olhar, ao tocar minha testa ele olhou para o mais baixo:
       – Darvin, quanto você acha que nos dariam pelo centro do mundo?
       O mais baixo, o tal de Darvin, sorriu, com uma ganância sem igual em seus olhos.
       – Mais dinheiro e poder que você possa contar! Todos a querem, e ela até que é bonitinha... – comentou ele acariciando meu rosto.
       Eu tentava me soltar, mas os dois estavam presos a mim, eu estava com muito medo, sem que pudesse perceber estava chorando. Ótimo! Eu era uma revoltada com a vida, que ficava chorando por aí, não era possível! Que ódio eu estava sentindo de mim mesma, eu era tão fraca! Não podia fazer nada, só ficava vendo aqueles caras me arrastarem até uma vã.
       Ouvi barulho estranho, logo depois veio o vento, um vento de cortar a pele que me obrigou a fechar os olhos. Tá, agora era definitivo, eu estava com muito, muito medo!
       Senti algo quente me envolver, um motor foi ligado, o vento cessou, alguém me segurava em seus braços, estávamos correndo, mais rápido do que podia me lembrar já ter corrido. Arrisquei então abrir os olhos, quando fiz isso o homem que me segurava já havia alcançado a vã dos garotos que tentaram me sequestrar, eles pediam desculpas, e se curvavam, mas o homem apenas encostou em seus pescoços, ouvi um estalo e eles caíram.
      Olhei espantava para o homem, que mais parecia um garoto de 23 anos, tinha o corpo magro, não era musculoso e tinha os músculos pouco definidos, mas era de longe o garoto mais lindo que eu já vira na vida, tinha os cabelos curtos meio rebeldes e mal repartidos de um loiro desbotado, seus olhos eram intensos, perigosos, lindos, vermelhos!  Suas roupas eram comuns, um jeans uma camiseta branca e simples, ao ver minha expressão ele sorriu, o que, eu tenho certeza me fez corar e só então percebi que estava em seus braços ainda.
     – Não estão mortos, apenas desmaiados. Não deveria ficar andando sozinha... – disse me pondo no chão. Sua voz era divertida, descontraída e bondosa, mas emitia um poder que não deixava dúvidas: Eu estava ao lado de alguém que não desejaria como inimigo!