18 de out de 2012

História sem nome-san Capítulo 16


Capitulo 16

Profecia

    Ele saiu antes de mim, andava tranquilo, mas com um monte de gente entrando na nossa frente, foi difícil alcança-lo. Corri atrás dele e coloquei a mão em seu ombro:
     – Espera! Tom espera!
     Ele virou me encarando, uma das sobrancelhas erguidas, corei ao perceber que era a primeira vez que o chamava de Tom e não de Thomas. Mas me mantive focada, peguei no braço dele, na altura do cotovelo para garantir que ele não fugisse no meio da conversa e olhei em seus olhos, o que eu tinha dificuldade para fazer.
     – Desculpa, eu não quis dizer aquilo, não quis te deixar bravo, eu... eu não sei! Nos conhecemos a pouco tempo, mas eu não acho que você seja alguém mal, nunca achei, só que você me assusta e todos dizem que você é um inimigo e eu... eu... eu não sei! Descobri recentemente um monte de coisa e comecei a tentar me lembrar do meu passado. Tudo isso é muito confuso, tudo isso me assusta. Eu nem sei porque estou dizendo isso, mas, eu gostei de você, você é legal e não quero brigar... – eu falava rápido, quase sem pausas e muito embolado, queria esconder tudo de todo mundo, mas de certa forma ele parecia saber mais do que eu.
     Ele suspirou, levou a mão a minha cabeça e acariciou de leve, havia algo semelhante a um sorriso em seu rosto, ele olhou para mim, seus olhos de azul profundo e escuro me fitavam com seriedade.
      – Talvez eu não possa cuidar da minha alma, ou sequer de mim mesmo, mas juro cuidar de você, enquanto este corpo não apodrecer. Não fique assim, sei que vai superar tudo isso! E... – ele foi interrompido por um acesso de tosse, caiu de joelhos no chão, parecia uma assustadora reprise do dia que o conhecera, quando ele teve esse acesso de tosse na porta da minha casa.
      Abaixei-me servindo de apoio e ele se escorou em mim, senti que estava fraco, olhei ao lado pedindo ajuda, mas os alunos eram rápidos, todos já estavam no refeitório enquanto estávamos perto das salas de aula, não havia nenhum professor, nenhum ajudante, ninguém.
      Tentei ergue-lo sobre meus ombros, ele era pesado, mas com um pouco de esforço consegui carrega-lo até a enfermaria que não ficava muito longe da nossa sala de aula. Deitei-o na cama, ele estava vermelho, parecia febril, vez em quando ele vomitava sangue e isso me preocupava muito.
      – E-eu estou bem – disse com dificuldade Thomas, enquanto eu procurava algo para lhe dar, já que as enfermeiras não ficavam lá no intervalo.
      – Não! Você não está, porque fica tentando fingir que está tudo bem... ai meu pai... você está com febre. Espero que isso ajude.
       Mas quando me virei, ele não estava mais lá. Eu não entendia isso, mas havia apenas uma pequena poça de sangue no chão, nada mais. Sai da enfermaria para procura-lo, mas ele não estava lá, tinha simplesmente... desaparecido.
       Encontrei com a Nina, a Okami e a Mel. As três vinham a passos largos na minha direção e pareciam preocupadas, a primeira a me alcançar foi a Nina-chan que me segurou pelos ombros e me chacoalhou de leve.
        – Onde esteve menina? Estávamos preocupadas! – disse ela me abraçando de lado e me guiando até o refeitório.
        – Eu? Fui cuidar do Thomas, ele estava passando mal, mas... ele sumiu.
        Mel ergueu as sobrancelhas, eu expliquei melhor, mas mesmo assim uma interrogação ficou sobre nós quatro. Okami me pegou pela mão me dizendo para esquecer aquilo e me puxou para o encontro de Cátia e Daniela, que pareciam bem tensas.
         – Não é querendo te deixar louca – disse Okami para mim – mas eu acho que você deveria saber. Conte a ela – disse Okami gentilmente para Cátia.
        – Bem – disse Cátia respirando fundo – Nina estava preocupada contigo, e para tentar ajudar em algo me pediu para ver o futuro da sua casa... Bom, - ela fechou os olhos e eu senti que estava revivendo a visão. Então começou a conta-la assim como a viu – Havia uma poça de sangue no tapete de entrada, encontrei você e a Mel-san a um canto da cozinha quando adentrei mais, vocês estavam em posições defensivas e alguém chorava, haviam pelo menos umas sete pessoas na casa, eu ouvia paços no piso de cima e gritos, era tudo muito embaçado, então eu não sei bem como, o teto desmoronou. E não vi mais nada...
       Ela abriu os olhos e colocou a mão sobre meus ombros, dando um sorriso constrangido e encorajador.
        – Desculpe não poder ver nada além disso, vai acontecer dia 23 de Março.
      – O-o-que? Mês que vem já? – minha cabeça, meu estômago tudo estava revirando. Logo agora que eu estava começando a tentar me acostumar com tudo me vem uma dessas!
      As meninas tentaram fazer eu me sentir melhor, mas não funcionou muito. Apesar de tudo, reparei que a Mel estava bem tranquila, fiquei curiosa:
       – O que pensa sobre isso senpai? – perguntei a ela.
       Ela deu de ombros pondo mas mãos entrelaçadas atrás da cabeça.
       – Não sei, não posso dizer o que vai acontecer, mas sei que vou estar lá com você, então acho que é isso que realmente importa, né? – disse sorrindo.
       Como eu a admirava, sempre forte, mesmo nos piores momentos!    

História sem nome-san Capítulo 15


Capitulo 15

Bilhetes na aula de história

    Acordei com uma sensação estranha na minha barriga, automaticamente retirei do pescoço o pingente e o joguei na minha mesa-de-cabeceira, ainda refletia sobre o sonho. Não havia descoberto nada de novo, apenas revisto de novo a cena em que tudo começou. Dali para trás não havia nada, um vazio, um buraco não preenchido. Tentei não pensar nisso e fui até a cozinha.
     Como de costume minha irmã já havia saído para trabalhar, levantava 04h30min, se arrumava com pressa e saía pouco antes de eu descer, enchi uma tigela com cereal e leite, quase não mastiguei, apenas engoli, era um mau costume esse, que eu não conseguia perder. Já uniformizada, escovei os dentes e arrumei meu cabelo, joguei todo meu material na bolsa e fiquei na porta de casa, esperando Nina vir para me acompanhar.
      Pouco tempo depois ela apareceu, e assim fomos conversando para a escola, ela me perguntou se eu estava bem. Meu impulso foi contar a ela tudo, e dizer que nada podia estar bem, mas me contive e disse que estava morrendo de sono, ela não se contentou com a resposta, mas acenou, calada.
      Na entrada ela foi ter com a Daniela e a Cátia, eu as cumprimentei e fui a um canto, onde isolada estava a Mel, escrevendo em seu caderno histórias que um dia pretendia publicar. Ela novamente me perguntou o mesmo, se eu estava bem, disse a mesma coisa que afirmei a Nina, mas ao contrário dela que apenas se calou, Mel ficou me encarando.
      – Por que insiste em guardar tudo pra si?
      Pensei na questão que ela me fez, suspirei e resolvi responder com sinceridade:
      – Porque parece que de um dia para o outro eu me tornei o centro do mundo. E não quero jogar esse peso nas costas de vocês.
      – Tecnicamente, você é o centro do mundo. – disse um garoto me abraçando pelas costas.
      – Tho-Thomas! – gaguejei constrangida.
      – O que? – perguntou ele indiferente, e olhando para Mel estendeu a mão por cima do meu ombro, apoiando a cabeça nele – Thomas DeLonge.
      – Mel Houkiboshi – disse Mel com um leve sorriso.
    Ficamos os três conversando até o sinal bater, Thomas estava sendo bem legal e gentil, era difícil imaginar aquele monstro que me perseguiu pela floresta nele, só de lembrar daquilo tinha arrepios.
    – Flávia-chan! – chamou Hime antes que eu entrasse na sala – Sabe que não é seguro confiar nesse aí, ainda mais ficar conversando com ele? Cuidado menina!
     – Hey! Ficar andando com um vampiro que é perigoso – afirmou Thomas, quase ofendido – E vem cá, você não tem nada haver com nossa vida, diga pra Michelle te dispensar, porque a Flá já tem quem cuide dela! – disse ele me abraçando, de lado e lançando um olhar ameaçador para Hime.
      Hime quase riu, lançou um sorriso de deboche para Thomas, puxando-me pelo pulso para perto dela. E afastando Thomas com a mão.
       – Fique longe dela ok? Você não pode cuidar nem da sua alma, acha mesmo que vai poder cuidar dela? Eu não confio em você – e agora se dirigindo a mim Hime completou – e você também não deveria.
      – Com licença, senhores, poderiam fazer a gentileza de parar de conversar na porta vão ter tempo para isso no intervalo, ou esperam que eu espere vocês terminarem o assunto? – disse a professora com um forte sarcasmo na voz.
      Eu a olhei, envergonhada, Thomas parecia prestes a socar Hime e nem estava ligando para a professora, depois que ela dissera sobre sua alma, ele pareceu ter ficado abalado, Hime assentiu de leve com a cabeça fez um reverencia e foi para sua sala.
      – Senhorita Leto, senhor DeLonge poderiam fazer a gentileza de entrarem?
      Entrei acompanhada por Thomas. Fazia algumas semanas que havíamos nos conhecido, e mesmo com todo aquele lance de ameaça e de perseguição, não conseguia imaginar ele como uma pessoa má, talvez apenas uma pessoa perdida.
      Como Okami havia faltado, eu passei a aula ao lado do Thomas, mas apesar disso ele estava muito quieto, e eu, como uma boa curiosa fria, não aguentei. O professor de história era rigoroso e não gostava de barulho, então rabisquei em um papel.
       Tudo bem? Você parece abalado
       Passei o papel para ele e logo ele me passou de volta.
       Nada, é impressão sua...
      Não, não é! Por que ela disse que você não cuida nem da sua alma? O que a Hime-san quis dizer com isso? Você ficou abalado depois que ela disse isso. Me conta! Se você ficar me escondendo as coisas não vou saber se posso confiar em você, assim é mais fácil pensar que a Hime-san tem razão.
      Me arrependi de ter escrito aquilo, mas era tarde, já havia passado o papel para ele e fiquei pensando se havia ido longe demais. Minha resposta veio logo, Thomas se levantou amassando um papel e o jogou com força no lixo, depois sentou-se sem me encarar. E ficou assim até o intervalo.


História sem nome-san Capítulo 14


Capitulo 14

O trem que vai a lugar nenhum


   Havia uma estação de trem, era ajeitada tinha bastante placas para nos ajudar, trens vinham e iam a toda hora, corriam apressados e eu sequer sabia seus destinos. Havia uma menina na plataforma de embarque, várias pessoas amontoadas ao lado dela, mas aquelas menina... aquela menina tinha algo que se destaca, era normal, tinha cabelos bem curtos e castanhos, olhos cinzas perdidos, não olhava para lugar algum, olhava reto, como se estivesse hipnotizada, tinha um vestido azul bem simples e uma pequena bolsa em mãos. Eu conhecia aquela menina, ela era... ela era eu! Quando tinha dez anos!
     Aquela estação, aqueles trens, foram ali que minhas memórias se perderam, fora ali o início de tudo, não me lembrava de mais nada antes daquele dia. Mas não era como os sonhos que sempre tive, em que estava em primeira pessoa, hoje parecia apenas uma expectadora, via de longe sem ninguém me ver.
      A garota olhou para o lado, sua cabeça se mexia devagar, como se estivesse aprendendo a mexe-la, e ficou observando algo. Eu sabia o que era, naquele dia, me lembro, um garoto ia embora perto ao um moço adulto, não conhecia nenhum dos dois, mas fiquei os encarando ir embora naquela estação, só Deus sabe o porquê.
      Mais trens iam mais trens vinham e eu não sabia aonde ir, não sabia qual deles pegar, as pessoas á volta da menina desciam e subiam, apressadas, atrasadas. A menina tremia de frio, parecia prestes a congelar, não parecia habituada ao clima de onde estava, encolhida, buscava o máximo de calor.
      Olhava os trens, mas sequer os via, não sabia qual deles pegar, não sabia se devia pegar algum, afinal, para onde os trens a levariam? Ela não tinha lugar para ir, sequer sabia direito quem era, todo e qualquer trem lhe levaria ao mesmo lugar: lugar nenhum. Quem não tem onde ficar nunca pode ir para algum lugar, era isso que ela pensava, mas também não saia dali, não tinha nada á fazer.
      Algo do outro lado chamou a atenção da menina, um garota um pouco mais alta que ela, de lindos cabelos ondulados e loiros e olhos cinzas gritou:
      – Mamãe, papai, ali! – a menina apontava para mim, para a garotinha na estação do trem. 
     Correu em sua direção, guiando a mãe pela mão, parou a frente da menina perdida e perguntou gentilmente:
     – Quem é você? De onde é? Parece perdida.
     – Flávia – respondi.
     – Hum... e de onde é?
     – Não sei.
     – Quem são seus pais?
     – Não sei.
     – Para onde quer ir?
     – Não sei, lugar nenhum.
     A garota loira franziu a testa e olhou para os pais. A mãe da menina que tinha cabelos igualmente loiros, olhos verdes e um corpo acima do peso, sorriu e afagou meus cabelos.
     – Pobre menina –comentou em tom doce – deve ser órfã Lincon, vamos leva-la para casa, ela não parece bem.
     O marido da mulher fez que sim, e colocou a mão no ombro me guiando para uma plataforma pouco mais a frente. Me lembro de não querer ir, provavelmente por medo do que me esperava, mas não tinha forças para resistir a nada e o frio me castigava. Olhei para trás novamente, na esperança de ver o garoto, eu não sabia o porquê, mas havia gostado dele, foi em vão, no fim da plataforma, não via mais nada.
      E assim peguei um trem, para começar uma nova vida, que mal sabia eu, iria gostar!

História sem nome-san Capítulo 13


Capitulo 13

Uma ninfa e uma teoria

     Assim eu fui para casa e me joguei na cama, Jéssica nada perguntou, eu tinha certeza que Carolina e Yumi já haviam contado tudo para ela, bem, pelo menos haviam me poupado desse trabalho, adormeci sem muito esforço, e só fui acordar no dia seguinte, com meu celular tocando.
     Na telinha se lia ‘escola :/’, era 5:00 horas da manhã, eu simplesmente o ignorei e voltei a dormir. Faltar pra mim parecia o mais sensato a fazer no momento, não queria enfrentar a preocupação das minhas amigas, nem ter que ficar preocupada com o Thomas, ou se a Hime está ou não me vigiando, parando para pensar nisso, vi que meus dias estavam se tornando cada vez mais cansativos.
     Levantei realmente ás 10:36 da manhã, na cozinha havia um pequeno bilhete no qual eu reconheci a letra da minha irmã, era curto, mas revigorante:  Eu nada sei sobre o que sente, mas eu tenho certeza que irá passar por tudo isso, e que jamais estará sozinha enquanto eu viver. Ela provavelmente queria me dizer isso, mas teve de sair para trabalhar, era incrível como minha irmã se esforçava, cuidava da banda, de mim, dos estudos e ainda tinha que trabalhar, nossos pais nos mandavam algum dinheiro, mas eles estavam longes de ser ricos, o dinheiro que mandavam dava apenas para comida, enquanto o resto era bancado pelo serviço de meio período da minha irmã.
      Eu queria trabalhar também, me sentia inútil, sempre me senti um peso nas costas da minha irmã e dos meus pais, porque eu era! Além de preocupa-los sempre por causa do meu suposto cisto que podia explodir a qualquer instante, ainda via eles me bancando, ás vezes pensava se não seria melhor que eu tivesse me perdido naquela estação de trem, e não ficado parada bem naquele lugar, mas bem, isso já é outra história.
      Tomei café, me arrumei e fui dar uma volta, estava precisando muito esfriar a cabeça, o estresse estava me consumindo por dentro.  Antes de sair coloquei no pulso uma pequena coleira de contas azuis claras, com um pequeno pentagrama dourado no centro, havia ganhado de aniversário da Nina no ano anterior, e de acordo com ela, ele trazia proteção, o que eu realmente senti que precisava.
       O dia estava claro e o sol forte, havia muita pessoas nas ruas, alguma corriam com o estresse do dia-a-dia, algumas andavam tranquilamente, outras eram crianças que corriam de um lado para o outro, o céu claro e sem nuvens, com as poucas árvores da rua, e o movimento, faziam parecer o mundo tão em paz, tudo parecia tão comum. Enquanto para mim era quase impossível imaginar que o mundo pudesse ser o mesmo depois de ontem, é como se ontem, mais do que nenhum dia, tudo tivesse desmoronado aos meus pés.
     Num ritmo moderado, cheguei ao centro da cidade, que estava bem movimentado, lá me perdi em meus pensamentos, sem ligar mais para nada, alguns diriam triste, eu diria apenas... cansada.
       – Ai!
     Foi o que disse ao cair no chão, ainda sem entender direito, olhei a minha frente e vi uma garota, parecia ter mais ou menos minha idade, tinha longos cabelos castanho-avermelhados, tinha as mãos no rosto por isso não vi seus olhos, ao chão haviam diversos livros espalhados, com os mais diversos títulos, deles eu apenas reconheci algo de Shakespeare que eu nem sequer lembro mais o nome, quando voltei a olhar para a menina ela sorria para mim, de um modo desconcertado, mas gentil, levantou-se me ajudando a fazê-lo, e eu pude ver que ela usava uma saia xadrez e uma blusa lisa verde escura, por cima um colete preto.
     – Eto... – disse a menina coçando a cabeça – me desculpe Flávia-chan, eu sou uma desastrada! Olhem todos esses livros! Juro que o Eduardo me mata se acontecer qualquer coisa com algum dos livros dele! – e assim ela se abaixou para pegar os livros.
     – Deixe que eu te ajudo - me ofereci, - Como sabe meu nome? – soei um pouco assustada, o que estava, mas minha voz estava firme, pelo menos era isso que eu achava.
     – Hum? Eto... Flávia-chan é conhecida por todo o mundo místico e o Eduardo e eu estamos de olho em você a tempos, não era para eu te contar isso, mas temos uma teoria. Uma teoria que te envolve!
     Era só o que me faltava! Outra pessoa envolvida com o mundo místico, e adivinha? Eu também estava envolvida em algo nisso.
     – Que teoria? – perguntei hesitante, e percebo que estava andando ao lado da menina que me guiava para uma sorveteria.
     – Hum... – a garota pareceu pensar muito se devia ou não me contar – Um milk shake de morango e ... que sabor gosta?
      – C-c-chocolate – gaguejei um pouco aturdida pela súbita mudança de assunto.
      – E um de chocolate! – completou a menina para o rapaz que nos atendia.
      Ela se sentou em uma mesa no fundo da sorveteria, colocando os pesados livros no chão.
      – Bem, antes de mais nada, sou uma ninfa e bem, ninfas não possuem um nome, mas como o Eduardo realmente se incomodava em não poder me chamar por um nome próprio eu recebi o apelido de Plafrese, pode me chamar assim. – disse a menina sorridente.
      – Prazer em conhece-la Plafrese-san – disse ainda um pouco confusa – mas que história é essa de teoria?
      – É assim, há muitos anos atrás sempre houveram guerras, mundo místico contra mundo humano, isso fez com que os humanos quisessem evoluir. Nisso começaram as experiências, a ciência, as descobertas, os recursos, e também surgiu a crença, e eles acabaram ao longo dos anos se esquecendo e ignorando nossa existência. Mas nesse período as criaturas mágicas também buscaram a evolução e as descobertas, mas foram longe demais quando descobriram o centro do mundo – quando Plafrese mencionou o centro do mundo, automaticamente toquei minha testa e meu estomago apertou, foi quando chegaram os milk shakes. – Oh! Obrigada, aqui está! – disse Plafrese para o assistente lhe pagando os dois antes que eu pudesse pagar o meu e se dirigindo a mim, continuou: - Não precisa, eu pago! Voltando... onde eu estava?
      – Quando eles descobriram o centro do mundo – disse ainda um pouco confusa.
      – Ah! Sim, então. Com elementais de pedra e fogo eles escavaram até o centro da terra e o tiraram de lá, não digo a você que elas não existiam, mas antes deles fazerem isso, os desastres naturais eram bem menores e menos frequentes.
       “ Vendo que estavam mexendo com o que não deviam, eles selaram o centro com magias de todos os tipos. Mas alguém, alguém que temos quase certeza que é seu criador, a cerca de trinta anos atrás, de algum modo conseguiu quebrar todos esses selamentos milenares e depois de te criar colocou o centro dentro de você, na intenção de esconder sua presença o que não durou muito tempo, mas realmente funcionou por um tempo.”
      – Mas, se todos sabem que eu estou com o centro, porque não racham minha cabeça e o tiram de lá? – perguntei me sentindo extremamente confusa e enjoada.
       Ela sorriu, como se esperasse que eu perguntasse aquilo, acariciou de leve meu braço e instantaneamente eu me senti melhor, mais leve. Sabia que ela tinha feito algum tipo de magia para me acalmar, mas mesmo assim, começou a se instalar uma paz dentro de mim, simplesmente inexplicável.
       – Eu sei que deve ser difícil, mas bem, recentemente descobrimos que ele não tinha posto o centro apenas para escondê-lo, mas junto com o centro ele implantou um selo em você, no qual qualquer dano que você sofra, o centro sofrerá, isso pode resultar na destruição mundial! A questão que paira, não é somente quem está por trás disso, e sim, porque, além do domínio aos humanos sabemos que essa alguém queira algo mais. E você é nossa chave, se puder se lembrar quem te criou ou porque fez isso, pode salvar o mundo. Sabemos que você esqueceu tudo antes dos dez anos, mas estamos aqui para te ajudar a recuperar a memória.
      Foi tudo o que ela disse, sabia que estava esperando eu processar tudo aquilo, ainda estava tão devagar minha mente, mas antes que eu pudesse processar qualquer coisa, senti uma mão no meu ombro. E de repente toda a confusão sumiu, pude sentir quando meus lábios se abriram num imenso sorriso.
     – Hiro-san!
     Um garoto alto de cabelos rebeldes e loiros sempre escondidos por seu boné, com olhos azuis penetrantes, uma camiseta preta, um jeans e um tênis estava atrás de mim, seu sorriso era torto, meio debochado e ele tinha um jeito de bad boy, talvez me sentisse intimidade se ele não fosse um grande amigo. Pulei em seus braços lhe dando um forte abraço:
     – Ela disse que viria – sorri para ele.
     – Ela? - ´perguntou Hiro confuso olhando para Plafrese, pensando que era a ela que me referia.
     – Depois eu explico  - disse. – Bem... Plafrese-san foi realmente um prazer conhece-la, mas... eu poderia ir agora? – não queria ser rude, Plafrese era realmente muito gentil, mas me senti um pouco desconfortável depois de tudo que ela havia falado.
     Longe de ficar brava, Plafrese sorriu e me entregou um pingente transparente em forma de diamante, tipo aqueles que ficam em cima dos nossos personagens do The Sims, só que transparentes.
     – Vai lhe ajudar a ter sonhos que mexam com sua capacidade mental, não espero que tenhamos a sorte de você se lembrar de tudo na primeira tentativa, mas quem sabe com o tempo ajude, não precisa usar hoje, mas coloque em seu pescoço quando for dormir quando quiser. Caso lhe dê enxaqueca ou algo ruim não precisa mais usar, estoure ele na sua mão e eu aparecerei no mesmo instante para lhe oferecer outros métodos.
     Agradeci, me despedi e fui embora. Hiro me olhou de testa franzida:
     – Não entendi. – ele apontava para o pingente e olhava para a sorveteria
     – Nem é pra entender – disse rindo – mas bem, porque veio? – tentei saber até onde ele sabia de mim e tudo.
     – Descobri que tenho poderes bacanas – e dizendo isso Hiro fez abrir uma profunda rachadura no chão e moveu uma pedra até sua mão – aí uma garota que se transforma em dragão me disse que era seu guerreiro e que era meu dever protege-la, ela me ajudou nos meus treinamentos e bem, eu vim pra cá.
     – Como assim? Você simplesmente ouviu essa garota e veio pra cá? – era bem difícil Hiro confiar em alguém, ainda assim, tão facilmente, quase impossível.
     – Ela disse que você estava em perigo, não precisou de muito mais para me convencer a vir.
     Sorri, Hiro podia ter muitos defeitos, mas era o melhor amigo que se podia pedir, o tipo que é difícil conquistar a amizade e confiança, mas quando se confia é eterno, ele faz de tudo por um amigo. 
    Passamos o resto da tarde juntos, quando começou a anoitecer ele me levou em casa e se foi, estava morando em uma casa distante da cidade, onde também vivia a tal amiga dele. Deixei-o ir e fui jantar com a minha irmã.
    Assistimos juntas alguns episódios de anime e ela foi se deitar, andava tão exausta por tudo que fazia, eu realmente admirava muito minha irmã. Também fui me deitar, e quando coloquei a mão no meu bolso vi o pequeno pingente, não sabia se queria uma noite lotada de sonhos, mas eu precisava saber sobre o meu passado, mesmo que não hoje, algum dia. Coloquei ele envolta do meu pescoço torci para que nada de muito ruim viesse a minha mente e dormi...

História sem nome-san Capítulo 12


 Capitulo 12

O mais longo dia 

    Eu não compreendia mais nada, só queria entender, tudo estava tão confuso, minha cabeça dava voltas. Não sabia se haviam se passados horas ou segundos, alguém bateu a minha porta, sem olhar e sem me importar mandei que entrasse.
      Era minha irmã de novo, junto dela estava o Hayato, a Yumi e a Carolina, na mão da minha irmã estava uma pequena barra de chocolate, ela sabia que chocolate me fazia bem quando eu estava triste.
      – Vamos ter ensaio da banda, e queremos que venha assistir – disse Jéssica bagunçando meu cabelo, e dando um sorriso irônico, continuou – e só porque hoje você está “cansada” – ela fez aspas no ar – vou deixar você escolher nossa primeira música do ensaio.
     Não que eu estivesse recuperada, mas todos eles na minha frente, tentando me fazer sentir melhor me fizeram sorrir e levantar enérgica da cama:
     – Please take me Home! – disse contente o nome da musica que queriam que eles tocassem.
    ­ ­­­ – Não, sério mesmo, acho que o Blink 182 fez uma lavagem cerebral na cabeça dessa menina, ela só consegue pensar neles! – afirmou brincalhona Yumi, que me deu um peteleco na cabeça.
      Ouvir minha irmã cantando me dava força, e a guitarra, o baixo e a bateria me davam vida, pela primeira vez naquele dia, eu não me senti... sozinha! Depois de terminados os ensaios, fomos todos tomar um milk shake em uma sorveteria próxima de casa. Ao chegar lá, nos sentamos na primeira mesa, e eu fiquei virada para rua, gostava de ver o movimento na rua, pessoas iam, pessoas vinham.
      Enquanto Hayato fazia os pedidos e Jéssica, Yumi e Carolina conversavam sobre a escola e a vida delas – por mais que elas tentassem ser legais e perguntar sobre minha vida, escola e etc. tentando me manter na conversa, não tinha jeito, então era melhor eu olhar a rua - . Estava querendo escurecer, o horizonte estava vermelho vivo, o que me dava calafrios, havia poucas pessoas na rua, e de vez em quando carros passavam de lá para cá, com seus motoristas preguiçosos, voltando para casa depois de um longo dia de trabalho. Era tão estranho imaginar que a vida pudesse ser tão comum para todos, e para mim tão complicada, afinal, quem eu era? Ou melhor, o que eu era?
     Um garoto em particular me chamou atenção, ele era alto e trazia debaixo dos braços muitos livros, usava óculos e parecia bem preocupado, olhava para os lado como se procurasse alguém. Uma hora ele olhou para mim, e quase deixou os livros caírem, pareceu perplexo em me ver, mexeu a cabeça em um movimento impaciente, como se despertasse e voltou a andar apressado.
     – Flavinha! – disse Hayato estralando os dedos ao meu ouvido.
     Olhei distraída para ele, e ele sorriu de um modo malicioso, se sentando entre mim e a minha irmã.
      – Se interessou pelo garoto Flavinha? – perguntou ele rindo.
      – C-claro que não! – disse irritada, e não era mentira, aquele garoto apenas tinha me perturbado um pouco, apesar de eu conseguir sentir, que ele escondia mais do que aparentava.
      – Ai, ai, para de perturbar a menina. E vamos tomar nosso milk shake! Flávia-chan, depois poderia ter uma palavrinha com você? – disse Carolina, e apesar do sorriso que carregava, senti que estava tensa.
      – Pode sim, claro que pode.
      Yumi e Carolina se entre olharam, e eu senti que algo estava acontecendo, algo sério.
      Depois do milk shake, Hayato foi para casa dele, e Jéssica foi na frente para a nossa casa, apesar dela insistir que gostaria de me acompanhar, Carolina e Yumi fizeram questão de que ficássemos a sós.
     – Querida, nós conhecemos a Any-chan, e sabemos que se encontrou com ela – começou Carolina colocando a mão nos meu ombros. Aquilo realmente me surpreendeu, mas antes que eu pudesse dizer algo, ela continuou: - eu sei que deve ser difícil aceitar tudo que você é. Escute, eu realmente não queria te dizer isso, mas você agora, mais do que nunca, tem que ser forte, você é a chave de tudo e não pode ficar por ai triste, entende? Any-chan não te contou tudo de uma vez por medo de você não aceitar, ela queria ir te contendo aos poucos... mas... – Carolina perdeu a voz.
     – As coisas deixaram de ser um joguinho de criança! – Yumi continuou por Carolina, sua voz, ainda que gentil, soava firme. – O mundo está para entrar em guerra, e nem sequer sabemos quem está por trás disso, portanto não confie em ninguém! Nesse momento todas as criaturas mágicas estão atrás de você, sejam para te proteger ou para te matar!
     – M-m-mas por quê? – foi tudo o que consegui gaguejar.
     – Mas do que sangue de ciclope, mais do que coração de unicórnio, você sabe o que possui aqui? – disse Yumi colocando dois dedos na minha testa.
     Eu sabia! Ou pelo menos achava que sim. Desde nova eu tinha fortes dores de cabeça, e quando fui ao médico e eles tiraram uma chapa, descobriram que eu tinha algo indefinido lá, só sabiam que aquele negócio parecia prestes a explodir, portanto não me deram mais de dez anos de vida, isso fazia apenas quatro anos, mas eu preferia não pensar nisso, preferia não lembrar que eu tinha uma data de validade.
    – Isso não é um cisto – disse Carolina mexendo no meu cabelo – isso é o coração do mundo!
    Ao ver minha completa cara de “han?” Carolina riu, mas Yumi parecia mais séria que nunca, e lançando um olhar de repreensão em Carolina, continuou:
     – No centro do mundo, onde só há lava e fogo, existe um coração, algo bem pequeno, que nutre todo o mundo, foi dele que tudo surgiu, deste pequeno “cisto” que você tem na cabeça. Mas assim como ele supre o mundo humano, supre o mundo místico de toda sua magia.
     Elas resolveram parar por ai, disseram-me algumas palavras de apoio e força as quais eu não me lembro, só lembro-me de tê-las ouvido dizer que estariam ao meu lado no que eu precisasse, e sempre, é, elas eram realmente boas amigas, mas no momento, nem elas podiam me fazer sentir melhor!

História sem nome-san Capítulo 11


Capitulo 11

Boneca de cera

     – Minha causa? – comecei a ficar preocupada – como assim?
     – Vou ter que voltar um pouco para que compreenda melhor. Nós, anjos, temos um oráculo, e ele há cerca de quinze anos, nos deu uma profecia, que dizia:
      “Quando o humano com alma de anjo surgir
      Uma grande desgraça no mundo irá cair
       Nos quatro elementos as respostas estarão
       Para a paz ou destruição
       Terra a fortaleza
       Não deixará nada entrar
       Ar a bondade
       Os que odeiam há de purificar
       Água a visão
       Para o cego a mão vai dar
       E fogo a traição
       Você terá de purificar
       A menina da foice é chave
       A menina da foice é a destruição
       Os quatro elementos ela tem de unir
      Antes de nas trevas cair”
      Não sabia bem o porquê, mas aquela profecia me dava calafrios, ela esperou um tempo, para que eu absorvesse tudo, e continuou:
      – Hiro recentemente descobriu que pode controlar a terra. Ele é a terra, ou seja, a fortaleza, eu estou aqui para te proteger e guiar, pois você é a humana com alma de anjo, e provavelmente a menina da foice. Tens de achar os outros três elementos, mas acredito que com o tempo certo eles surgirão.
     Meu estômago deu um nó, eu ainda não compreendia uma coisa:
      – E-eu tenho, alma de anjo?
      Any assentiu.
      – Seu corpo foi feito a mão, seus ossos são de dragão, seu coração é de unicórnio, seu sangue é de ciclope, seus olhos são de um transformista que possui águia, suas unhas são feitas de um metal especial, capaz de se transformar em uma arma, a arma que combine com sua alma. – ela pareceu pensar muito antes de dizer, e soou como se pedisse desculpas, ela não parecia querer me magoar – Você é quase uma boneca, feita sob medida.
      Eu me levantei e comecei a caminhar para casa, não era a toa que nunca tivera pais, nada do que tinha pertencia a mim, nada era meu, será que eu realmente existia, ou pensava e falava igual ao anjo ao qual minha alma pertencera, aliás, a alma dele me pertence.
       Era triste e confuso pensar que sequer minha alma, não tinha o direito de chamar de minha, Any percebera que queria ficar sozinha, então se foi sem dizer mais nada. Além do mais, e esse negócio de profecia? Eu não era a garota, não podia ser, eu nem conseguia correr na aula de Educação Física, o que ela esperava? Que eu salvasse o mundo?! Uma boneca? Do jeito que eu era? Só se fosse uma boneca de cera, dura, sem movimentos e que se quebra fácil!
      Seria bom ter o Hiro de volta e poder conversar com ele, mas definitivamente eu estava preocupada com os outros elementos, eles seriam garotos ou garotas? Onde estriam? Eu conseguiria acha-los? Minha cabeça, meu estomago tudo em mim dava voltas...
       Cheguei em casa e me joguei na cama, lágrimas involuntárias saíram do meu rosto, minha irmã foi no quarto perguntar se eu estava bem, e sem olhar para ela apenas disse que tivera um dia longo e estava cansada.
       Mas minha irmã me conhecia, ela sabia que eu não estava nem um pouco bem, respeitou o fato de eu querer estar sozinha, apenas acariciou meus cabelos e fechou a porta do meu quarto quando saiu.

História sem nome-san Capítulo 10




Capitulo 10

Anjo da guarda

        O problema foi que o Thomas não deixou eu conversar com a Okami, e ainda me ameaçou! Quando iamos sair, ele me pegou pelo ombro e disse que se eu contasse alguma coisa sobre ele para alguém, ele ia matar quem eu contei. Ele estava começando a me assustar.
       Acho que devia estar pálida quando sai da escola, porque a Hime veio correndo em minha direção parecendo bem preocupada:
       – O que houve? – perguntou ela gentilmente.
       – N-nada! – disse apressando o passo, sabia que Hime não havia engolido meu “nada”, mas não queria coloca-la em perigo, mesmo que não a conhecesse direito.
      Assim que sai da escola, senti uma mão em meu ombro, na hora gelei “será que ele me ouviu falando com a Hime e pensou que eu disse algo?”, mas relaxei ao ouvir a voz da Okami:
      – Disse que tinha de falar comigo, o que foi? – perguntou ela.
      – Não foi nada, eu apenas ia perguntar se podia me emprestar o cad...
      – Eu sei que não foi por isso! – Okami estava séria, mas depois soltou um longo suspiro – Mas eu entendo se não puder me contar, só me prometa que está em segurança!
      – Eu estou... – prometi, mas na verdade, soou mais como uma pergunta para mim, afinal, eu estava em segurança?
     
      Enquanto me perdia em meus próprios pensamentos, mal pude perceber a presença de alguém que caminhava a meu lado, era uma garota da minha altura tinha cabelos pouco abaixo dos ombros e branco-acinzentados, seus olhos eram de um azul profundo, quase hipnotizante, enquanto ela vestia um vestido branco, bem simples, sem nada para enfeitar que lhe batia nos joelhos. Antes de olhar para mim ela sorriu, e ainda sem me encarar apenas disse:
      – No que pensava criança? – sua voz era quase mágica, ecoava dentro e fora de mim, era gentil, mas parecia ter grande poder.
      – Eu? Eu... eu... nada.
      – É impossível para um mortal não pensar nada, se seu cérebro não trabalha, ele morre. – ela não soou como uma exibida querendo demostrar que sabe das coisas, soou apenas sábia – Mas antes de mais nada, me chamo Any  Katsu, prazer em conhece-la Flávia Leto.
      – C-c-como sabe meu nome? – perguntei, aquela conversa já estava começando a ficar estranha.
      – Eu já te observei por muito tempo, sei mais do que pensa. Sou um anjo, um anjo da guarda em missão na Terra.
      – Anjo da guarda? Você quer dizer, você é meu anjo da guarda?
      Any sentou-se em um banco, e quando me dei conta, estávamos na praça no centro da cidade, como sempre havia muitas pessoas por lá, passeando, brincando, mas não era para onde estava pretendendo ir, minha casa ficava um pouco longe dali. Pelo que interpretei, Any queria me deixar mais a vontade, e deu certo, me senti melhor estando rodeada de pessoas, afinal ninguém me faria mal no meio de tanta gente... faria?
     Assim que sentei-me a seu lado, a garota começou a se explicar:
      – Bem, já deve saber que não é normal – ela esperou, e eu assenti, Michelle já me dissera algo sobre isso – então tu não tens um anjo da guarda, sou apenas um empréstimo – ela riu.
      – Empréstimo de quem?
      – De um amigo seu, que logo deve voltar para o Japão, você se conheceram em Portugal, e ficaram bem amigos, agora ele vai voltar com uma amiga, chamada Karina, ela é uma boa mestra para ele e é bem forte.
      – O Hiro-san vai voltar?! – perguntei sem sucesso em conter a alegria em minha voz.
      – Sim, e por sua causa... 
Existe imagem mais perfeita??? *-*