18 de out de 2012

História sem nome-san Capítulo 12


 Capitulo 12

O mais longo dia 

    Eu não compreendia mais nada, só queria entender, tudo estava tão confuso, minha cabeça dava voltas. Não sabia se haviam se passados horas ou segundos, alguém bateu a minha porta, sem olhar e sem me importar mandei que entrasse.
      Era minha irmã de novo, junto dela estava o Hayato, a Yumi e a Carolina, na mão da minha irmã estava uma pequena barra de chocolate, ela sabia que chocolate me fazia bem quando eu estava triste.
      – Vamos ter ensaio da banda, e queremos que venha assistir – disse Jéssica bagunçando meu cabelo, e dando um sorriso irônico, continuou – e só porque hoje você está “cansada” – ela fez aspas no ar – vou deixar você escolher nossa primeira música do ensaio.
     Não que eu estivesse recuperada, mas todos eles na minha frente, tentando me fazer sentir melhor me fizeram sorrir e levantar enérgica da cama:
     – Please take me Home! – disse contente o nome da musica que queriam que eles tocassem.
    ­ ­­­ – Não, sério mesmo, acho que o Blink 182 fez uma lavagem cerebral na cabeça dessa menina, ela só consegue pensar neles! – afirmou brincalhona Yumi, que me deu um peteleco na cabeça.
      Ouvir minha irmã cantando me dava força, e a guitarra, o baixo e a bateria me davam vida, pela primeira vez naquele dia, eu não me senti... sozinha! Depois de terminados os ensaios, fomos todos tomar um milk shake em uma sorveteria próxima de casa. Ao chegar lá, nos sentamos na primeira mesa, e eu fiquei virada para rua, gostava de ver o movimento na rua, pessoas iam, pessoas vinham.
      Enquanto Hayato fazia os pedidos e Jéssica, Yumi e Carolina conversavam sobre a escola e a vida delas – por mais que elas tentassem ser legais e perguntar sobre minha vida, escola e etc. tentando me manter na conversa, não tinha jeito, então era melhor eu olhar a rua - . Estava querendo escurecer, o horizonte estava vermelho vivo, o que me dava calafrios, havia poucas pessoas na rua, e de vez em quando carros passavam de lá para cá, com seus motoristas preguiçosos, voltando para casa depois de um longo dia de trabalho. Era tão estranho imaginar que a vida pudesse ser tão comum para todos, e para mim tão complicada, afinal, quem eu era? Ou melhor, o que eu era?
     Um garoto em particular me chamou atenção, ele era alto e trazia debaixo dos braços muitos livros, usava óculos e parecia bem preocupado, olhava para os lado como se procurasse alguém. Uma hora ele olhou para mim, e quase deixou os livros caírem, pareceu perplexo em me ver, mexeu a cabeça em um movimento impaciente, como se despertasse e voltou a andar apressado.
     – Flavinha! – disse Hayato estralando os dedos ao meu ouvido.
     Olhei distraída para ele, e ele sorriu de um modo malicioso, se sentando entre mim e a minha irmã.
      – Se interessou pelo garoto Flavinha? – perguntou ele rindo.
      – C-claro que não! – disse irritada, e não era mentira, aquele garoto apenas tinha me perturbado um pouco, apesar de eu conseguir sentir, que ele escondia mais do que aparentava.
      – Ai, ai, para de perturbar a menina. E vamos tomar nosso milk shake! Flávia-chan, depois poderia ter uma palavrinha com você? – disse Carolina, e apesar do sorriso que carregava, senti que estava tensa.
      – Pode sim, claro que pode.
      Yumi e Carolina se entre olharam, e eu senti que algo estava acontecendo, algo sério.
      Depois do milk shake, Hayato foi para casa dele, e Jéssica foi na frente para a nossa casa, apesar dela insistir que gostaria de me acompanhar, Carolina e Yumi fizeram questão de que ficássemos a sós.
     – Querida, nós conhecemos a Any-chan, e sabemos que se encontrou com ela – começou Carolina colocando a mão nos meu ombros. Aquilo realmente me surpreendeu, mas antes que eu pudesse dizer algo, ela continuou: - eu sei que deve ser difícil aceitar tudo que você é. Escute, eu realmente não queria te dizer isso, mas você agora, mais do que nunca, tem que ser forte, você é a chave de tudo e não pode ficar por ai triste, entende? Any-chan não te contou tudo de uma vez por medo de você não aceitar, ela queria ir te contendo aos poucos... mas... – Carolina perdeu a voz.
     – As coisas deixaram de ser um joguinho de criança! – Yumi continuou por Carolina, sua voz, ainda que gentil, soava firme. – O mundo está para entrar em guerra, e nem sequer sabemos quem está por trás disso, portanto não confie em ninguém! Nesse momento todas as criaturas mágicas estão atrás de você, sejam para te proteger ou para te matar!
     – M-m-mas por quê? – foi tudo o que consegui gaguejar.
     – Mas do que sangue de ciclope, mais do que coração de unicórnio, você sabe o que possui aqui? – disse Yumi colocando dois dedos na minha testa.
     Eu sabia! Ou pelo menos achava que sim. Desde nova eu tinha fortes dores de cabeça, e quando fui ao médico e eles tiraram uma chapa, descobriram que eu tinha algo indefinido lá, só sabiam que aquele negócio parecia prestes a explodir, portanto não me deram mais de dez anos de vida, isso fazia apenas quatro anos, mas eu preferia não pensar nisso, preferia não lembrar que eu tinha uma data de validade.
    – Isso não é um cisto – disse Carolina mexendo no meu cabelo – isso é o coração do mundo!
    Ao ver minha completa cara de “han?” Carolina riu, mas Yumi parecia mais séria que nunca, e lançando um olhar de repreensão em Carolina, continuou:
     – No centro do mundo, onde só há lava e fogo, existe um coração, algo bem pequeno, que nutre todo o mundo, foi dele que tudo surgiu, deste pequeno “cisto” que você tem na cabeça. Mas assim como ele supre o mundo humano, supre o mundo místico de toda sua magia.
     Elas resolveram parar por ai, disseram-me algumas palavras de apoio e força as quais eu não me lembro, só lembro-me de tê-las ouvido dizer que estariam ao meu lado no que eu precisasse, e sempre, é, elas eram realmente boas amigas, mas no momento, nem elas podiam me fazer sentir melhor!

História sem nome-san Capítulo 11


Capitulo 11

Boneca de cera

     – Minha causa? – comecei a ficar preocupada – como assim?
     – Vou ter que voltar um pouco para que compreenda melhor. Nós, anjos, temos um oráculo, e ele há cerca de quinze anos, nos deu uma profecia, que dizia:
      “Quando o humano com alma de anjo surgir
      Uma grande desgraça no mundo irá cair
       Nos quatro elementos as respostas estarão
       Para a paz ou destruição
       Terra a fortaleza
       Não deixará nada entrar
       Ar a bondade
       Os que odeiam há de purificar
       Água a visão
       Para o cego a mão vai dar
       E fogo a traição
       Você terá de purificar
       A menina da foice é chave
       A menina da foice é a destruição
       Os quatro elementos ela tem de unir
      Antes de nas trevas cair”
      Não sabia bem o porquê, mas aquela profecia me dava calafrios, ela esperou um tempo, para que eu absorvesse tudo, e continuou:
      – Hiro recentemente descobriu que pode controlar a terra. Ele é a terra, ou seja, a fortaleza, eu estou aqui para te proteger e guiar, pois você é a humana com alma de anjo, e provavelmente a menina da foice. Tens de achar os outros três elementos, mas acredito que com o tempo certo eles surgirão.
     Meu estômago deu um nó, eu ainda não compreendia uma coisa:
      – E-eu tenho, alma de anjo?
      Any assentiu.
      – Seu corpo foi feito a mão, seus ossos são de dragão, seu coração é de unicórnio, seu sangue é de ciclope, seus olhos são de um transformista que possui águia, suas unhas são feitas de um metal especial, capaz de se transformar em uma arma, a arma que combine com sua alma. – ela pareceu pensar muito antes de dizer, e soou como se pedisse desculpas, ela não parecia querer me magoar – Você é quase uma boneca, feita sob medida.
      Eu me levantei e comecei a caminhar para casa, não era a toa que nunca tivera pais, nada do que tinha pertencia a mim, nada era meu, será que eu realmente existia, ou pensava e falava igual ao anjo ao qual minha alma pertencera, aliás, a alma dele me pertence.
       Era triste e confuso pensar que sequer minha alma, não tinha o direito de chamar de minha, Any percebera que queria ficar sozinha, então se foi sem dizer mais nada. Além do mais, e esse negócio de profecia? Eu não era a garota, não podia ser, eu nem conseguia correr na aula de Educação Física, o que ela esperava? Que eu salvasse o mundo?! Uma boneca? Do jeito que eu era? Só se fosse uma boneca de cera, dura, sem movimentos e que se quebra fácil!
      Seria bom ter o Hiro de volta e poder conversar com ele, mas definitivamente eu estava preocupada com os outros elementos, eles seriam garotos ou garotas? Onde estriam? Eu conseguiria acha-los? Minha cabeça, meu estomago tudo em mim dava voltas...
       Cheguei em casa e me joguei na cama, lágrimas involuntárias saíram do meu rosto, minha irmã foi no quarto perguntar se eu estava bem, e sem olhar para ela apenas disse que tivera um dia longo e estava cansada.
       Mas minha irmã me conhecia, ela sabia que eu não estava nem um pouco bem, respeitou o fato de eu querer estar sozinha, apenas acariciou meus cabelos e fechou a porta do meu quarto quando saiu.

História sem nome-san Capítulo 10




Capitulo 10

Anjo da guarda

        O problema foi que o Thomas não deixou eu conversar com a Okami, e ainda me ameaçou! Quando iamos sair, ele me pegou pelo ombro e disse que se eu contasse alguma coisa sobre ele para alguém, ele ia matar quem eu contei. Ele estava começando a me assustar.
       Acho que devia estar pálida quando sai da escola, porque a Hime veio correndo em minha direção parecendo bem preocupada:
       – O que houve? – perguntou ela gentilmente.
       – N-nada! – disse apressando o passo, sabia que Hime não havia engolido meu “nada”, mas não queria coloca-la em perigo, mesmo que não a conhecesse direito.
      Assim que sai da escola, senti uma mão em meu ombro, na hora gelei “será que ele me ouviu falando com a Hime e pensou que eu disse algo?”, mas relaxei ao ouvir a voz da Okami:
      – Disse que tinha de falar comigo, o que foi? – perguntou ela.
      – Não foi nada, eu apenas ia perguntar se podia me emprestar o cad...
      – Eu sei que não foi por isso! – Okami estava séria, mas depois soltou um longo suspiro – Mas eu entendo se não puder me contar, só me prometa que está em segurança!
      – Eu estou... – prometi, mas na verdade, soou mais como uma pergunta para mim, afinal, eu estava em segurança?
     
      Enquanto me perdia em meus próprios pensamentos, mal pude perceber a presença de alguém que caminhava a meu lado, era uma garota da minha altura tinha cabelos pouco abaixo dos ombros e branco-acinzentados, seus olhos eram de um azul profundo, quase hipnotizante, enquanto ela vestia um vestido branco, bem simples, sem nada para enfeitar que lhe batia nos joelhos. Antes de olhar para mim ela sorriu, e ainda sem me encarar apenas disse:
      – No que pensava criança? – sua voz era quase mágica, ecoava dentro e fora de mim, era gentil, mas parecia ter grande poder.
      – Eu? Eu... eu... nada.
      – É impossível para um mortal não pensar nada, se seu cérebro não trabalha, ele morre. – ela não soou como uma exibida querendo demostrar que sabe das coisas, soou apenas sábia – Mas antes de mais nada, me chamo Any  Katsu, prazer em conhece-la Flávia Leto.
      – C-c-como sabe meu nome? – perguntei, aquela conversa já estava começando a ficar estranha.
      – Eu já te observei por muito tempo, sei mais do que pensa. Sou um anjo, um anjo da guarda em missão na Terra.
      – Anjo da guarda? Você quer dizer, você é meu anjo da guarda?
      Any sentou-se em um banco, e quando me dei conta, estávamos na praça no centro da cidade, como sempre havia muitas pessoas por lá, passeando, brincando, mas não era para onde estava pretendendo ir, minha casa ficava um pouco longe dali. Pelo que interpretei, Any queria me deixar mais a vontade, e deu certo, me senti melhor estando rodeada de pessoas, afinal ninguém me faria mal no meio de tanta gente... faria?
     Assim que sentei-me a seu lado, a garota começou a se explicar:
      – Bem, já deve saber que não é normal – ela esperou, e eu assenti, Michelle já me dissera algo sobre isso – então tu não tens um anjo da guarda, sou apenas um empréstimo – ela riu.
      – Empréstimo de quem?
      – De um amigo seu, que logo deve voltar para o Japão, você se conheceram em Portugal, e ficaram bem amigos, agora ele vai voltar com uma amiga, chamada Karina, ela é uma boa mestra para ele e é bem forte.
      – O Hiro-san vai voltar?! – perguntei sem sucesso em conter a alegria em minha voz.
      – Sim, e por sua causa... 
Existe imagem mais perfeita??? *-*

História sem nome-san Capítulo 9


Capitulo 9

Ameaçada

     – ...Depois ela simplesmente desapareceu, antes que pudesse dizer qualquer coisa, foi assustador...
     Como esperado, a Mel não deu um surto de preocupação, pareceu sim bastante preocupada, mas também, pensativa.
     – É estranho, bem quando tudo isso aconteceu com você, bem... eu não tenho muita certeza, mas juro ter ouvido bater de asas na minha janela esta noite enquanto fazia a lição e quando chegava na janela não havia nada, esse barulho me incomodou por horas a fio.
      Não sei como estava meu rosto, mas na minha mente eu dizia “Fala sério!” eu acabara de contar que tinha visto uma vila élfica, sendo que as próprias criaturas místicas dizem que os elfos estão extintos, acabo de dizer que encontrei com a “alma” de Vênus, e que uma vampira me dissera que eu não era “exatamente humana”, e ela acha estranho um bater de asas na janela?!
      Comecei a rir, realmente só a Mel para fazer isso.
      – Que foi? – ela perguntou, visivelmente me achando louca.
      – Nada – disse e a penas sorri.
      Como Mel ainda precisa terminar seu dever e como estávamos na escola, fui até o portão, precisava ficar um pouco sozinha também. Assim que chegara a escola (a mais ou menos meia hora) já havia avistado Hime, mas só agora vi o tal Thomas, ele estava parado próximo a entrada conversando com um garoto de cabelos vermelhos e olhos azuis profundos. Meu coração acelerou, eu conhecia aquele garoto de cabelos vermelhos! Aproximei-me para ver se conseguia ouvir o que eles estavam dizendo, mas fiquei bem escondida entre duas vigas.
      – Eu sei disso! Já disse, só não queria que ela morresse, ponto! – dizia Thomas com as mãos nos bolsos, parecia irritado.
      – Isso é bom... mas de qualquer forma não posso ficar aqui na escola te vigiando, tem alguém que não pode me ver aqui. – disse o garoto dos cabelos vermelhos.
      – Como se isso fizesse alguma diferença – comentou Thomas desgostoso.
      Thomas avançou para o portão e veio direto em minha direção, ainda estava com as mãos nos bolsos.
       – Ficar ouvindo a conversa dos outros é falta de educação sabia? – perguntou ele indiferente para mim.
       Me sentia um pouco frágil em sua frente, pois ele era mais alto que eu, e parecia muito seguro de si, ao contrário de mim. Reuni toda a coragem que havia em mim:
       – Por que estava conversando com o Sanji? – disse soando um pouco irritada. – e o que fez com ele? Ele parece diferente...
       As feições dele mudaram, mas eu não consegui identificar o que ele estava pensando.
       – Talvez eu tenha tornado ele uma pessoa ruim, talvez eu tenha feito ele se tornar um monstro! – disse ele com desprezo desmedido na voz.
       A raiva me subiu a cabeça, como ele podia falar com tamanho desprezo do Sanji? Sem perceber minha mão se levantou para lhe dar um tapa, mas ele segurou com força meu pulso.
       – Ou talvez ele tenha tirado tudo que eu tinha...
       Soltou-me e foi para dentro da escola, o sinal tocou e ouvi Okami, que acabara de adentrar o portão, dizer algo sobre ter perdido a hora.
        – Preciso conversar com você – foi o que eu disse simplesmente.
        

História sem nome-san Capítulo 8


Capitulo 8

Planetas leem mente

      Acordei atordoada , olhava para os lados, não me lembrava de nada, aos poucos a casa de madeira bonita e ajeitada foi vindo a minha mente, mas a Michelle não estava lá, na cozinha, sentada em uma cadeira estava outra garota, não era uma elfa, mas era bonita tinha os longos cabelos ruivos e uma face simpática, mas um pouco dura.
      Olhou para mim ao sentir meus olhos obre ela:
      – Já acordou? Michelle volta logo caso queira saber... – comentou a menina com indiferença.
      – O-obrigada – respondi, ainda um pouco atordoada. – Mas, bem, quem é você?
       Ela não me respondeu por um instante, o que me fez pensar se eu a teria ofendido com a tal pergunta, logo ela tirou os olhos do mangá que lia e voltou-se para mim:
       – Sou Hime Ichinose, uma vampira. Tenho 17 anos em idade de vampiro – disse ela como se simplesmente comentasse o tempo.
       – V-v-vampira? – perguntei visivelmente assustada.
       Hime soltou um leve riso, parecia se divertir com a situação:
       – Não se preocupe, seu sangue é ruim, eu gosto somente do sangue humano.
       Antes que conseguisse assimilar por completo a situação, e o que ela dissera, Michelle chegou, trazia algumas frutas e me jogou uma maçã bem vermelhinha.
       – Bom dia Flávi-chan, se sente melhor esta manhã? – perguntou gentilmente sentando na beirada da cama em que estava.
       – Bem, meu trabalho de babá acabou por hoje né Mih? – perguntou Hime indo embora.
       – Sim, obrigada Hime-chan! – agradeceu Michelle – mas continue na vila, seu trabalho de babá, acabou por hoje. – completou ela dando ênfase nas ultimas palavras.
       Hime apenas acenou, se despediu de mim, e foi embora. Michelle me olhou como se esperasse que eu dissesse algo. As lembranças da noite passada me bateram e lembrei de algo:
       – Disse que ia me contar tudo que sabe! – afirmei, com medo e esperançosa.
       Ela pareceu satisfeita por eu ter lembrado, mas seu rosto deu uma leve enrijecida.
       – Não vou mentir, mas não vou lhe contar tudo que sei, a coisas que ainda estão além da sua compreensão ainda, – ao ver que eu ia protestar, ela acrescentou- mas um dia vais saber! Por enquanto apenas lhe digo que o nome do garoto era Thomas DeLonge, e que amnhã ele será transferido para sua escola, portanto, tome cuidado com ele. Ele trabalha com um cara chamado Lin, este acredita que as criaturas místicas são superiores aos humanos, por isso deviam comanda-los ao invés de se esconder deles... Hime também vai para sua escola, para ficar de olho em vocês.
        Não compreendia nada, mas a ideia de o garoto do capuz estudar comigo me assustava, mas uma outra pergunta rondava minha mente:
        – Hime-san disse que gosta apenas de sangue humano e por isso não gosta do meu sangue, o que ela quis dizer?
        Michelle mordeu o lábio inferior, visivelmente ponderando se podia ou não me responder e como deveria responder:
        – Bem, digamos que... você não é exatamente humana, apenas tem a alma de uma. Mas deve voltar para casa agora, sua irmã deve estar preocupada, Lua-chan vai te guiar até o fim da floresta.
     Antes que eu pudesse dizer mais algo uma garota baixa de cabelos azuis apareceu próximo a mim, pregou no meu pulso e começou a me guiar para fora da casa. Ao chegarmos a porta se despediu da Michelle e começou a seguir a minha frente, e apenas a segui. Em uma parte do caminho eu a alcancei, e antes que pudesse perguntar qualquer coisa, ela simplesmente disse:
      – Me chamo Lua Tsuki, e sou Vênus – mais uma vez, antes que eu pudesse perguntar para ela como ela podia ser um planeta, ela me respondeu -  Cada planeta tem um espirito dentro dele, alguns espíritos acordam tomando uma forma humana, eu, sou a personificação de Vênus, o que é irônico sendo que meu nome é Lua. – disse ela rindo simpática, e pela terceira vez (aquilo estava me dando medo), antes que eu perguntasse, ela me respondeu  - Vim para Terra porque sei que algo vai acontecer aqui em breve, espíritos de planetas podem penetrar na mente das pessoas, por isso sei sua pergunta antes de me fazer.
      – Ah! Entendo, bem...
      – Chegamos... – foi o que disse Lua, e antes que pudesse dizer algo mais, ela havia sumido, como se tivesse evaporado.
      E foi assim, atordoada e com medo que cheguei em casa, onde minha irmã preocupada me abordava, perguntando onde tinha estado. Não me lembro exatamente do que respondi, mas inventei algo sobre ter estado o tempo todo com a Mel, aliás, eu realmente ´precisava estar com a Mel. Só ela seria capaz de me entender sem surtar de preocupação, quero dizer, eu amo todas as minha amigas, mas a Mel é sem dúvida a mais madura (mais até que a minha irmã, que é mais velha!) portanto confiava em falar coisas sem que ela desse um surto depois.

História sem nome-san Capítulo 7


Capitulo 7

A misteriosa salvadora

     Corri desesperada rua abaixo, tropeçando, quase chorando, eu estava apavorada, e sempre que me arriscava a olhar para trás via o garoto, com o capuz cobrindo o rosto, ele era muito rápido, geralmente estava andando lentamente atrás de mim, enquanto eu corria deseperada, mas sempre que se arriscava a correr um pouco ficava bem perto de mim.
      Sem rumo, mal percebi quando cheguei no topo do penhasco em que vira a Mel voar pela primeira vez, ele era bem próximo de casa. Me arrisquei a olhar mais uma vez para trás, o garoto estava um pouco distante, foi quando senti meu chão desaparecer. Pisara em falso no topo do penhasco, uma rocha se soltara e pronto! Seria aquele meu fim, sem ninguém para me salvar, ao olhar para baixo, minha vista ficou turva, e eu senti meu corpo pesar sobre mim, me fazendo despencar.
      – Droga de menina burra! – ouvi o garoto gritar ao me segurar fortemente em seus braços, girou fazendo com que, quando chegássemos ao chão, ele recebesse a queda.
       Senti o sangue dele caindo sobre meu rosto quando teve o contato com o chão, pareceu perder a força no corpo e me largou, por um momento pensei que ele tivesse morrido, e não sabia se me sentia culpada ou aliviada. Mas ele levantou, estava muito pálido, mas continuava a me perseguir, e eu corria desesperada, já perdendo a força nas pernas.
      Deslizei por um alto morro quando pisei no asfalto, havia perdido toda e qualquer força na perna. Parei próxima ao rio e de lá me levantei e corri para frente. Quase sem perceber já estava cercada de árvores, estava dentro da floresta.
       – Chega – disse o garoto sem fôlego, e tossiu levando mais sangue ao chão, ele estava péssimo – Vamos logo!
       Dizendo isso ele me abraçou por trás, me puxando para gente, havia firmeza, mas delicadeza no gesto.
       Ouvi um barulho estanho e ele me soltou, em sua mão havia uma flecha com uma pena roxa no fim. Ele olhou para frente e encarou com ódio a garota que agora estava entre eu e ele. Antes que pudesse assimilar a situação, o garoto sumira.
       – Você está bem?  - perguntou a garota que me salvara.
       Ela era linda, e depois de reparar bem, vi que era uma elfa, seus cabelos eram ondulados compridos e prateados, quase brancos, mas nem de longe lhe davam ar de velha, era parecia jovem e tinha os traços delicados e gentis, em sua mão trazia o arco que disparar a flecha e em suas costas um aljava repleta delas.
        – E-estou... – gaguejei.
        – Sou Michelle Lin, como se chama?
        – Sou... sou Flávia, Flávia Leto, e... obrigada!
        Michelle sorriu gentilmente:
        – Não foi nada, tome cuidado com Thomas, eu já nem sei mais quem ele é, se é bom ou mau, fique atenta, sendo quem é não pode dar mole por ai. – disse ela, sem soar em tom de bronca, mas sendo séria.
        – Thomas? O garoto do capuz? Sendo quem eu sou? E-eu, não estou entendendo! – estava começando a ficar nervosa.
        Michelle respirou longamente antes de dizer mais alguma coisa.
        – Venha comigo, precisa descansar primeiro, depois lhe conto tudo que sei.
        Ela me passava segurança, era como se pudesse confiar plenamente nela, por isso a segui sem nenhum medo ou hesitação. Michelle me guiou até uma casa de madeira, era bem feita e organizada, e ficava em uma pequena vila de elfos, deitei-me na cama, e antes que desse por mim, dormi.

História sem nome-san Capítulo 6


Capitulo 6

Sangue de unicórnio

       Não havia contado para nenhuma das minhas amigas sobre o incidente do garoto, como se já não bastasse eu estar apavorada, não queria preocupa-las sobre isso, afinal era só eu não ficar sozinha e tudo ficaria bem... Certo?
      Minha terceira aula era vaga, sentei-me a um canto da sala e juntei minha carteira com a da Okami, para que pudéssemos conversar, ela estava aflita, e na aula vaga, me disse o porquê.
      – Sabe isso? – disse ela me apontando um frasco que trazia na mão, era pequeno e continha um líquido espesso e vermelho bem clarinho, quase branco. – Sangue de unicórnio – ela continuou – usado em poções para a vida eterna. Meu pai continua preocupado e com uma sensação ruim, ainda tem o que a Daniela viu, eu estou muito preocupada!
      – Mas o unicórnio não pode simplesmente ter se ferido e derramado o sangue dele por ai? – disse para não admitir que algo muito estranho estava acontecendo!
      ­– Bem, digamos que unicórnios simplesmente não se machucam e sangram por ai, eles tem poder de sura imediato, só morrem quando retirada sua cabeça, além do mais, seu sangue fica quase branco ao chegar perto de seu chifre, ou seja, esse sangue veio da cabeça dele, onde fica o chifre. Se o sangue geralmente é usado para a poção da imortalidade, o chifre é usado em um veneno muito poderoso, seu cheiro, seu gosto, seu toque, qualquer um eu tiver qualquer contato com aquele veneno morre imediatamente!
      Engoli em seco, não sabia mais o que dizer, minha cabeça girava em pensamentos confusos, eu estava com medo. Muito medo!
       – Tem algo que possamos fazer? – foi a única coisa que consegui dizer, queria de algum modo parar aquilo.
     – Bem se estiver disposta a entrar comigo na floresta próxima ao rio que corta a cidade, podemos tentar espantar os unicórnios que vivem ali, quando acuados eles ficam alertas por um bom tempo, e é bem difícil matar um unicórnio alerta. Mas acho que é a única coisa que podemos fazer. Podemos ir na semana que vem já.
      – Eu topo!
      Como a Nina havia faltado, pedi que a Mel me acompanhasse para casa, já que ficar sozinha era ultima coisa que queria, ela também se ofereceu para levar o cachorro sem-nome para o veterinário e de lá, encaminhá-lo para um espaço de adoção. Aceitei sem pensar duas vezes, nada contra o pobre animal, mas ele me lembrava o garoto de ontem, tudo o que eu menos queria.
       – Você está realmente bem? – perguntou Mel pela milésima vez.
       – Estou. – eu só respondia isso, não que eu realmente estivesse bem, mas que queria parecer bem, por isso me forcei um sorriso.
       Mel sabia muito bem quando eu estava mentindo, e fingiu se satisfazer com a resposta, mas antes de levar o cachorro, acrescentou:
       – Se precisar de qualquer coisa, liga que eu venho voando! – e sorrindo brincalhona acrescentou – literalmente.
      Minha irmã iria dormir na casa da Yumi aquela noite, e me lembrava sempre de que eu não devia sair de casa sozinha! Em hipótese alguma!
       – Eu não queria ter de dormir fora, mas precisamos nos reunir para compor a melodia da nova musica que fizemos, então eu vou lá, tchau! Se cuida! –
       – Tudo bem, vai lá, tchau! – me despedia da minha irmã como se estivesse tudo bem, mas não! Nada estava bem! Eu estava apavorada!
       Fiquei assistindo anime para distrair a cabeça. Quando deu pouco mais de sete horas da noite ouvi batidas na porta.
       – Quem é? – perguntei com meu coração na mão.
       – Sou eu, sei que deve estar morrendo de medo de mim, mas eu não mordo. Só queria saber como o cachorro está, não abra a porta. – a ultima frase havia soado mais como uma ordem do que como um pedido, o que fez meus joelhos tremerem.
       Reconheci a voz na hora! Era o garoto de ontem, “Por que justo hoje, justo hoje!?”. Com as pernas tremendo me encostei-me à porta, não ia abri-la de jeito nenhum!
       – Ele está bem – disse com dificuldade – minha amiga o levou para o veterinário e depois para um centro de adoção.
       – Que bom – comentou ele simplesmente. – obrigada, tchau!
       Antes que ele pudesse ir embora senti algo bater na porta, pensei que estivesse fazendo força para entrar portanto gritei. Mas ouvi tossidos e o barulho vinha de baixo. Não podia deixa-lo doente do lado de fora da porta, além do mais estava muito frio, e ele não parecia ameaçador.
     Abri a porta só um pouquinho para ver se ele realmente estava caído, e estava. Ao ouvir a porta abrindo me olhou quase que com censura, parecia bravo.
      – Idiota! Eu disse para não abrir a porta! – ele gritava comigo, parecia que queria falar algo mais, mas teve um acesso de tosse, e podia verem sua mão o sangue, ele estava muito mal.
      – Esperava que te deixasse morrendo na minha porta?
      – Que seja! Mas agora eu não tenho mais escolha.
      Se pôs de pé com dificuldade, com a manga do moletom limpou a boca e a mão, tirou um frasco do bolso e tomou umas pílulas verdes.
      – Você vem comigo! – foi o que afirmou, antes de me agarrar pelo braço.
      Eu tremia dos pés a cabeça, sem pensar, mordi com força a mão dele e lhe chutei, o que me fez ele afrouxar a mão do meu braço, soltei-me com um pouco de dificuldade e tentei entrar para dentro de casa, mas ele se pôs na minha frente.